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Fernando d’Oliveira é assistente espiritual e coordenador hospitalar, mestre em saúde mental, formador social e membro da direção da AsER.
Conheci o Amadeu muito antes de conhecer a Ester. Conheci-o quando a vida ainda lhe doía demais para caber em palavras.
É um homem de fé, voz firme, mãos gastas de benzer, pároco de aldeias onde o sino ainda ressoa e a porta da sacristia é chave do coração. Falava do Evangelho como quem o colhe do chão, com a humildade dos campos, com a ternura de quem escuta antes de julgar. Era presença nas noites frias, coluna na
Fui visitar um doente do meu hospital, internado noutro hospital, um desses lugares onde a dor se veste de bata e o tempo tem cheiro a desinfetante. Levei comigo o silêncio e a escuta, e um nome: o do homem que me esperava. Dissera que precisava de mim, da minha presença, da minha fé, daquelas cois
Dirigia-me para o meu gabinete quando vi, à distância, um homem a caminhar lentamente, como se arrastasse os pés num chão que já não reconhece.
Foi num fim de tarde tranquilo, quando a luz começava a descer devagar sobre as casas e o dia se recolhia numa espécie de silêncio dourado, que aceitei acompanhar um grupo de Visitadores Paroquiais. Disseram-me apenas: — Há uma mãe que gostaríamos que conhecesse. Vivia sozinha c
Na sala de visitas da Unidade de Psicogeriatria do meu hospital, havia uma cadeira que o tempo já conhecia. Sempre ali. Todos os dias. À mesma hora. Com a mesma mulher sentada: Alzira. O corpo franzino, o cabelo preso com cuidado, e aquele olhar cheio de passado. Ao lado, sempre ao lado, o Sr. Mois
O Xico não era homem de rezas, nem de santos, nem de igrejas. Mas era um homem de respeito, daqueles que não julgam, que olham de frente, e que escutam em silêncio o que não entendem. Quando soube que eu estava a preparar um Retiro para os doentes, em Fátima, terra de fé e de promessas, veio ter co
Há um erro em que caímos muitas vezes, empurrados pela pressa. O de acreditar que, por detrás da porta de um hospital, mora apenas um doente. Mas não. Não mora. Definitivamente, não mora!
A mensagem chegou-me por WhatsApp como tantas outras: chegou sem contexto, sem aviso, no meio de coisas pequenas que ocupam o dia. Era uma mensagem do Tiago, um colega do meu hospital. Simples, directo: — “Uma questão… Quem era a Verónica?" Fiquei a olhar para o ecrã durante uns segundos. Podia
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