O que nos falta?
Talvez nos falte fazer um pouco mais. Ou, para quem se esgota a fazer tudo, optar por fazer um pouco menos.
Falta-nos agradecer. Pelo que é. Pelo que foi. E pelo que, um dia, ainda há de ser.
Falta-nos saber que somos guiados. Que há um Amor maior que nunca nos abandona, mesmo que às vezes nos sintamos desnutridos.
Falta-nos aprender a receber. Um elogio. Um presente. Uma mensagem. Falta-nos encontrar mais encanto nessas coisas simples que dizem tanto sobre o outro. que são, efetivamente, o outro em nós e para nós.
Falta-nos querer menos coisas. Viver (só) com o que se tem como se já fosse tudo.
Falta-nos dizer que não vamos. Que não nos apetece. Que não faz sentido. Vivemos tanto para agradar e para ser aceites pelos outros que, por vezes, deixamos de saber quem somos e o que queremos. A palavra não é tão preciosa como a palavra sim.
Falta-nos a calma para esperar.
Ou a força para mudar.
Falta-nos atar a esperança ao pulso como fazíamos com os balões coloridos que os nossos pais nos davam quando éramos miúdos e miúdas.
Falta-nos normalizar a vulnerabilidade e a tristeza. Valorizamos demasiado a força, a garra e o “aguentar”.
Falta-nos uma validação que venha de dentro. Que não dependa sempre do que o outro acha, sente ou quer.
Falta-nos perceber que o nosso lugar é (mesmo) insubstituível. Que pode sempre existir alguém que faça o que nós fazemos, mas que não há ninguém que seja o que (só) nós somos.
Falta-nos compreender que não há relações perfeitas nem simples. Que não somos nós que estamos errados e que os outros não estão sempre certos. O equilíbrio é medido a cada hora e ninguém está sempre bem. Mesmo que assim pareça nas fotografias ou nas redes sociais.
Falta-nos saber que não sabemos metade do que o outro vive, sente, experiencia ou é. O que vemos dos outros não é a totalidade do que são. Para o bem e para o mal.
Falta-nos parar de correr atrás de um sucesso indefinido e inalcançável. O teu maior sucesso é seres quem és.
Falta-nos perdoar-nos por tudo o que também não fazemos bem. Pelos que deixámos pelo caminho, para nos salvar ou para nos priorizar. Ou pelos erros que ficaram algures, com alguém, e que não pudemos ou soubemos evitar.
E mesmo que nos falte muito, já temos tanto!