Estar presente nas férias!
Às vezes é difícil estarmos, realmente, presentes e a experienciar o momento que estamos a viver.
Muitas vezes, vivemos em modo de sobrevivência. Ou em estado de alerta constante, em estado de Hiper vigilância e em modo de permanente antecipação de todos os problemas e cenários caóticos que poderão, um dia, vir a existir. Enquanto assim é, não estamos realmente presentes no momento e no dia que estamos a viver. Vamos navegando numa prisão mental que nos impede, tantas vezes, de ver a realidade tal como ela é.
Como nos habituamos a viver presos ao passado ou em antecipação do futuro, desaprendemos a arte de aproveitar o dia-a-dia. E quando assim é, nem quando vamos de férias conseguimos realmente disfrutar e aproveitar. Podemos estar num cenário idílico e com uma excelente companhia e conseguir, ainda assim, deixar que a nossa mente nos leve para longe do cenário quase perfeito que nos rodeia.
Assim, trazemos um desafio forte para estas próximas férias: vivê-las! Parece simples, não é? Mas a mim parece-me bastante mais complexo do que poderíamos julgar à primeira vista. Senão vejamos: quando estamos de férias, estamos mais relaxados; mas também temos mais tempo para pensar e para divagar, uma vez que a mente está menos ocupada em produzir, chegar a horas ao trabalho, fintar o trânsito, corresponder aos desafios físicos (e de calendário) diários.
Vamos de férias, mas parece que os problemas que a nossa cabeça cria (ou tinha adiado) voltam para nos perturbar.
Fica a proposta para este tempo de maior acalmia que estamos prestes a viver.
Focar a nossa atenção no que podemos controlar. Na forma como queremos reagir e receber o que nos vai acontecendo. Pensar que só podemos, realmente, viver o dia de hoje porque não temos (mesmo) mais nenhum. E isto pode ser complicado, mas há pequenas estratégias que podem resultar: ocupar o tempo com atividades e pessoas de que(m) realmente gostamos. Não nos forçarmos a fazer o que não nos apetece ou a partilhar tempo com pessoas que nos retirem energia.
Prescindir dos ecrãs pelo menos algumas horas por dia e substituir esse tempo estéril pela leitura de um livro (mesmo que o tempo de concentração seja curto e que só consigamos ler duas ou três páginas de cada vez). Sair da zona de conforto em doses homeopáticas: explorar um novo caminho, um novo restaurante, uma praia diferente. E o mais importante: ter tempo de qualidade sozinha. Ou sozinho.
É no silêncio do nosso coração que nascem os projetos mais bonitos e que se apaziguam as maiores tempestades. Dentro do que somos há sempre sol. Mesmo que não o consigamos sempre ver.