O poder de dizer NÃO!

Crónicas 1 julho 2026  •  Tempo de Leitura: 2

Nem sempre sentimos que temos permissão para dizer que não. Que não nos apetece. Que não aceitamos. Que hoje não contam connosco. Que vamos preferir o nosso descanso e a nossa verdade ao invés de agradar e dizer um sim mentiroso.

 

Acreditamos que, para ser amados, temos de ficar bem vistos. De viver para agradar. Se o outro me valida, eu fico melhor. E mais feliz. Mas será mesmo assim? Será que quando digo que sim aos outros (e mesmo que isso implique dizer que não ao que eu própria quero) vou necessariamente a receber amor? E que amor é este que eu quero receber a todo o custo, e de qualquer um?

 

A verdade é que quando aceitamos tudo de todos e quando dizemos “sim” em esforço, e em detrimento de uma renúncia pessoal ou emocional, estamos a dizer que não à pessoa de quem melhor devemos cuidar. Se eu quero cuidar dos que estão comigo e dos que amo, mas não sei cuidar de mim e das minhas necessidades emocionais mais básicas, que mensagem vou passar aos meus filhos, aos meus netos, aos meus descendentes, ou aos que se cruzam comigo?

 

Que para ser aceite e amado, eu tenho de dizer sempre que sim aos outros, mesmo que isso implique uma negação profunda daquilo que eu próprio necessito (e quero!).

 

Parece-me urgente que saibamos aprender a dizer que não sem sentir culpa. Sem premeditar o que o outro pode ficar a julgar de mim ou do que fiz. Sem sentir que me devia colocar em último lugar, porque é isso que é esperado de mim. E de nós.

 

O que é esperado de nós, e o que beneficia tudo (e todos), é que eu viva de acordo com a minha verdade. Que eu rime as minhas atitudes e decisões com a minha própria voz. Com a minha vontade. Isso não significa que eu possa, sempre, fazer só o que bem me apetece. Mas tão pouco significa que eu só possa fazer o que quero quando suprir as necessidades de todos os outros. Isso não é bondade, altruísmo ou gentileza. É negligência de mim para mim.

 

Que saibamos valorizar quando as pessoas colocam os seus limites. Quando os clarificam. Quando dizem que não. Quando tomam decisões com base no que é benéfico para si.

 

E tu, já aprendeste a dizer que não?

tags: Marta arrais

Marta Arrais

Cronista

Nasceu em 1986. Possui mestrado em ensino de Inglês e Espanhol (FCSH-UNL). É professora. Faz diversas atividades de cariz voluntário com as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus e com os Irmãos de S. João de Deus (em Portugal, Espanha e, mais recentemente, em Moçambique)

Subscrever Newsletter

Receba os artigos no seu e-mail