A Oração do descanso

Crónicas 3 junho 2026  •  Tempo de Leitura: 1

Que eu saiba descansar na mesma medida em que sei trabalhar.

 

Que eu olhe para a vida como é e não como gostava que fosse.

 

Que eu honre os dias lentos, sem afazeres nem pressas.

 

Que eu atravesse os dias devagar, não me culpando nunca por precisar de parar. Abrandar. Refazer. Retomar. Suspender. Pausar.

 

Que o ruído dê lugar à paz. Principalmente dentro de mim.

 

Que as palavras do outro não me forcem nunca a fazer o que não quero. A ir para além dos meus limites.

 

Que eu saiba que o trabalho faz parte da vida, mas que o trabalho não é (nem poderá substituir – ou ser – a minha vida).

 

Que as dificuldades sejam desatadas com calma. Com conversa.

 

E, de preferência, após uma noite de sono completa.

 

Que a luz da manhã me traga a certeza de que este dia é meu, mas que o de amanhã pode não ser.

 

Que eu não subestime o meu corpo nem os sinais que me dá quando estou a fazer demais, a ser demais, a dar demais.

 

Que eu possa parar e recomeçar todas as vezes que forem necessárias para o meu bem-estar emocional, mental, espiritual e físico.

 

Que eu seja sempre fiel aos meus ritmos internos e não aos ritmos de uma empresa, de um trabalho ou de uma profissão.

 

Que a minha vida esteja sempre em primeiro lugar.

 

Que o descanso seja vivido mais vezes sem a necessidade de compensar (com trabalho) depois.

 

Que aprendamos a amar o sossego, a quietude, a tranquilidade e a natureza de todas as coisas como são.

Marta Arrais

Cronista

Nasceu em 1986. Possui mestrado em ensino de Inglês e Espanhol (FCSH-UNL). É professora. Faz diversas atividades de cariz voluntário com as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus e com os Irmãos de S. João de Deus (em Portugal, Espanha e, mais recentemente, em Moçambique)

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