Quem retira a pedra do nosso Sepulcro?
Entramos, agora, na Semana Maior.
Nestes dias, Jesus aproxima-se mais do nosso sofrimento, e da nossa Cruz, uma vez que os viveu (primeiro) por nós. E antes de nós. Sinto sempre que esta é uma das semanas que mais nos tornamos cúmplices da vida de Jesus. Sentimos que sabemos o que este homem passou por passarmos, nós, também pelo sofrimento e pela dor.
A Semana Santa abre caminho para um encontro muito profundo, e às vezes doloroso, com a nossa própria fragilidade. É como se fôssemos convocados a conhecer o sofrimento alheio para ter coragem e compaixão suficientes para encarar e respirar o nosso.
É sempre tempo de trazer, nesta altura, a certeza de quantos caminhos foram abertos para nós, como humanidade, através desta entrega plena do Filho de Deus.
No entanto, apercebemo-nos, com o viver do dia a dia, que este presente que nos foi dado há tantos mil anos (e que é renovado a cada Semana Santa) é tantas vezes esquecido e ignorado por cada um de nós. Temos memória curta para o que não nos interessa. Para o que é difícil e para o que tomamos como garantido.
Esta entrega de Jesus não nos trouxe só a convocação da cumplicidade do sofrimento e da dor. Trouxe-nos muito mais do que isso.
Trouxe-nos o entendimento e a consciência de que o sofrimento tem um avesso e um final que rima com a luz da eternidade. É aqui que talvez resida a lição que melhor temos de aprender: na luz e na esperança que residem por detrás do sepulcro do nosso sofrimento e da nossa vida (tantas vezes desafiante e dolorosa).
Há esperança, apesar da Cruz.
Há luz apesar da dor.
Há Céu e um coração que arde apesar do que nos pesa.
Há voo apesar das asas que, um dia, foram cortadas.
Tudo isto nos é ensinado pela Cruz. É através da Cruz que nos vemos melhor.
Que nos possamos relembrar que estaremos capazes de abrir a pedra do nosso sepulcro quando compreendermos que é o próprio Jesus que nos leva pela mão.