No meio do caos, o silêncio

Crónicas 11 março 2026  •  Tempo de Leitura: 2

Vivemos mergulhados em crises. Se não é por uma razão é por outra. Se não é por rebentar uma guerra externa, é porque rebenta uma guerra a partir de dentro de nós. Parece-me que acaba por ser difícil recordar-nos dos tempos calmos ou pacíficos. Quase sentimos que nem sequer existiram realmente.

Quando tentamos encontrar sentido para o mundo lá vamos recorrendo às notícias, ao que nos é comunicado nas mais diversas formas. E, mais uma vez, o que encontramos são autênticas odes ao caos. Ao medo. Ao desespero. É como se não houvesse outra forma de gerir os assuntos a não ser através da desesperança que se espalha e contagia.

Se pensarmos bem, tudo nos aponta caminhos que nos enrolam sobre nós próprios. Que nos fazem deixar de ver o que é mais importante.

É profundamente importante que consigamos encontrar lugares e espaços que nos permitam ser quem somos. Que nos permitam sentir a segurança do momento presente, por muito que o futuro pareça confuso. Que o tempo para estarmos em silêncio seja construído mesmo no meio da confusão, das rotinas, das filas de trânsito intermináveis.

Só quando voltamos a nós podemos estar realmente em paz.

O que se passa for a de nós não está ao alcance nem da nossa asa nem do nosso controlo.

Por isso, na dúvida, volta para ti. Retira-te de tudo o que te distrai e te destrói e rema para o lado de dentro.

As águas das decisões dos outros não podem ser navegadas por ti.

As tuas sim.

Apesar de tudo o que nos acontece e nos desarma tão completamente, ainda há esperança. Ainda há verdade. Ainda há caminho.

Que saibamos dar-nos a mão e levar-nos por onde precisamos de ir.

Ou parar-nos nos lugares que precisam do nosso amor.

O lugar mais precioso mora dentro de tudo o que somos. Que saibamos cuidar melhor dele. Para nosso bem. E de todos.

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Marta Arrais

Cronista

Nasceu em 1986. Possui mestrado em ensino de Inglês e Espanhol (FCSH-UNL). É professora. Faz diversas atividades de cariz voluntário com as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus e com os Irmãos de S. João de Deus (em Portugal, Espanha e, mais recentemente, em Moçambique)

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