No meio do caos, o silêncio
Vivemos mergulhados em crises. Se não é por uma razão é por outra. Se não é por rebentar uma guerra externa, é porque rebenta uma guerra a partir de dentro de nós. Parece-me que acaba por ser difícil recordar-nos dos tempos calmos ou pacíficos. Quase sentimos que nem sequer existiram realmente.
Quando tentamos encontrar sentido para o mundo lá vamos recorrendo às notícias, ao que nos é comunicado nas mais diversas formas. E, mais uma vez, o que encontramos são autênticas odes ao caos. Ao medo. Ao desespero. É como se não houvesse outra forma de gerir os assuntos a não ser através da desesperança que se espalha e contagia.
Se pensarmos bem, tudo nos aponta caminhos que nos enrolam sobre nós próprios. Que nos fazem deixar de ver o que é mais importante.
É profundamente importante que consigamos encontrar lugares e espaços que nos permitam ser quem somos. Que nos permitam sentir a segurança do momento presente, por muito que o futuro pareça confuso. Que o tempo para estarmos em silêncio seja construído mesmo no meio da confusão, das rotinas, das filas de trânsito intermináveis.
Só quando voltamos a nós podemos estar realmente em paz.
O que se passa for a de nós não está ao alcance nem da nossa asa nem do nosso controlo.
Por isso, na dúvida, volta para ti. Retira-te de tudo o que te distrai e te destrói e rema para o lado de dentro.
As águas das decisões dos outros não podem ser navegadas por ti.
As tuas sim.
Apesar de tudo o que nos acontece e nos desarma tão completamente, ainda há esperança. Ainda há verdade. Ainda há caminho.
Que saibamos dar-nos a mão e levar-nos por onde precisamos de ir.
Ou parar-nos nos lugares que precisam do nosso amor.
O lugar mais precioso mora dentro de tudo o que somos. Que saibamos cuidar melhor dele. Para nosso bem. E de todos.