É pouco o que podemos controlar

Crónicas 25 fevereiro 2026  •  Tempo de Leitura: 2

Vivemos como se a vida dependesse de nós para prosseguir ou para acontecer como acontece.

 

Vivemos como se fôssemos eternos e como se os dias que nos seguem fossem garantidos. Para sempre respiráveis e para sempre à nossa disposição.

 

Esquecemo-nos, frequentemente, da nossa pequenez. Do tanto que sucede apesar de tudo aquilo que somos e desejamos.

 

Na verdade, é pouquíssimo o que podemos controlar. E a maioria das nossas sensações mais negativas surgem, precisamente, desta nossa permanente tentativa. Talvez não apenas o querer controlar, mas também a nossa vontade de desejar que a realidade se apresente diferente daquilo que é.

 

Claro que é inevitável que assim seja. A nossa ilusão de ter o controlo do que acontece também nos oferece uma sensação de segurança e de comando. No entanto, é uma sensação que não passa disso. De uma ilusão. E esse véu cai de cada vez que a vida nos finta com imprevistos, doenças, atitudes inesperadas de alguém amado, acidentes, fatalidades, tempestades ou outros distúrbios que tais.

 

Como viver mais mansamente, então? Perante aquilo que somos e perante os outros?

 

Recordar-nos, diariamente, que estamos a ser guiados por Quem sabe. E que, não podendo determinar quase nada do que acontece, podemos ainda assumir a nossa responsabilidade pelo que depende de nós e do nosso círculo individual ou comunitário. Podemos trabalhar na forma como nos sentimos perante o tanto que nos acontece e desarruma.

 

Mais: podemos ter a clara certeza de que os vários eventos que nos atropelam, por muito difíceis que sejam, terão sempre algo importante para nos ensinar ou para revelar.

 

Saibamos nós ver e aprender.

 

Saibamos nós querer ver e querer aprender.

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Marta Arrais

Cronista

Nasceu em 1986. Possui mestrado em ensino de Inglês e Espanhol (FCSH-UNL). É professora. Faz diversas atividades de cariz voluntário com as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus e com os Irmãos de S. João de Deus (em Portugal, Espanha e, mais recentemente, em Moçambique)

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