É pouco o que podemos controlar
Vivemos como se a vida dependesse de nós para prosseguir ou para acontecer como acontece.
Vivemos como se fôssemos eternos e como se os dias que nos seguem fossem garantidos. Para sempre respiráveis e para sempre à nossa disposição.
Esquecemo-nos, frequentemente, da nossa pequenez. Do tanto que sucede apesar de tudo aquilo que somos e desejamos.
Na verdade, é pouquíssimo o que podemos controlar. E a maioria das nossas sensações mais negativas surgem, precisamente, desta nossa permanente tentativa. Talvez não apenas o querer controlar, mas também a nossa vontade de desejar que a realidade se apresente diferente daquilo que é.
Claro que é inevitável que assim seja. A nossa ilusão de ter o controlo do que acontece também nos oferece uma sensação de segurança e de comando. No entanto, é uma sensação que não passa disso. De uma ilusão. E esse véu cai de cada vez que a vida nos finta com imprevistos, doenças, atitudes inesperadas de alguém amado, acidentes, fatalidades, tempestades ou outros distúrbios que tais.
Como viver mais mansamente, então? Perante aquilo que somos e perante os outros?
Recordar-nos, diariamente, que estamos a ser guiados por Quem sabe. E que, não podendo determinar quase nada do que acontece, podemos ainda assumir a nossa responsabilidade pelo que depende de nós e do nosso círculo individual ou comunitário. Podemos trabalhar na forma como nos sentimos perante o tanto que nos acontece e desarruma.
Mais: podemos ter a clara certeza de que os vários eventos que nos atropelam, por muito difíceis que sejam, terão sempre algo importante para nos ensinar ou para revelar.
Saibamos nós ver e aprender.
Saibamos nós querer ver e querer aprender.