Um Homem novo para um mundo novo.

Cartas a uma amiga 17 outubro 2026  •  Tempo de Leitura: 3

As circunstâncias mudam muito rapidamente e temos de nos ajustar a realidades cada vez mais desafiantes. Não considero a minha geração mais especial do que aquela que viu surgir a eletricidade, o telefone, o desenvolvimento da ciência e que viu o seu mundo transformado como que de repente vivesse num mundo novo. O que acho é que atualmente somos constantemente sujeitos a alterações sociais, politicas e económicas que nos obrigam a refletir e até a mudar de atitudes.

 

Durante uns tempos pensamos que tínhamos a liberdade como algo garantido. A democracia como bem protegido e a paz como um valor inalienável. Tudo parecia protegido e seguro! Mas não!

 

Precisamos de olhar para este novo mundo com vontade de o acompanhar mas também com a noção do que se lutou para chegar aqui. No meio da rapidez e destas convulsões dá-mos por nós a relativizar valores e pensamentos, e a ter de explicar a jovens e velhos que precisamos de ir mais fundo das questões e não ficar pelas letras gordas dos jornais.

 

Não achas que precisamos de nos transformar?

 

Eu confesso que tenho dificuldade em me adaptar a certos pensamentos, discursos e ações. Evoluímos muito, mas dou por mim a resistir a certas mudanças qual “Velho do Restelo” a olhar com desconfiança para a leviandade com que se fazem as coisas.

 

Emergem Homens novos, com discursos bélicos, a infligir o medo, e a maravilha do capitalismo.

 

Surgem novos atores políticos mas a “cheirar” a mofo a provocar o caos usando táticas antigas do “dividir para conquistar”.

 

No meio disto ficamos desnorteados, sem saber quem tem razão e em quem confiar.

 

Para os cristãos a nossa bússola mantem-se que é Cristo que nos impele a ser verdadeiramente Homens novos e a romper com o que nos vendem como sendo a norma válida e absoluta. Pessoas como o Papa Francisco ou o Papa Leão XIV recordam-nos quais devem ser as premissas de um Homem Novo e transformado e isso começa em cada um de nós, no discurso que usamos e nos gestos que cultivamos. As bem aventuranças parecem cada vez mais uma abstração impossível de atingir, uma utopia, mas se calhar, é por aí que deve começar a transformação.

 

Que nunca nos esqueçamos que nem tudo o que reluz é ouro e o essencial da mudança pode começar com uma pergunta.

 

E tu amiga, o que precisas de transformar?

Raquel Rodrigues

Cronista "Cartas a uma amiga"

Raquel Rodrigues nasceu no último ano da década 70 do século passado. Cresceu em graça e em alguma sabedoria, sendo licenciada em Gestão, frequenta o mestrado em Santidade: está no bom caminho!

Aproveita cada oportunidade para refletir sobre os sentimentos que as relações humanas despertam e que, talvez, sejam comuns a muitas pessoas. A sua escrita é fruto da vontade de partilhar os seus estados de alma com a “amiga” que pode bem ser qualquer pessoa que leia com disposição cada uma das suas cartas.

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