A vida num segundo

Crónicas 5 setembro 2026  •  Tempo de Leitura: 2

Já apanhas te um daqueles sustos que te fazem ver a vida num segundo. Daqueles que pensas: “foi por um triz!”?

 

Acredito que sim! Como foi?

 Quais foram as primeiras imagens e sentimentos que surgiram? 

Pensas-te em mudar alguma coisa?

 

Desculpa as minhas perguntas mas acho curioso como numa fração de segundo, o nosso cérebro tem a capacidade de processar tanta informação e ir buscar ao subconsciente memórias quase esquecidas. Dá tempo para relembrar o passado e até de imaginar o que perderíamos que a nossa vida terminasse ali, naquele segundo. Os filhos que não veríamos crescer, os netos que não veríamos casar e eu sei lá o que mais nos ocorre. É como uma tempestade que nos abana mas que depois segue caminho deixando-nos com a destruição.

 

E depois, o que muda, se é que muda alguma coisa?

 

Depois de recuperados do susto é tempo de ser gratos e, até fazer de promessas que rapidamente “leva-as vento”. Seguimos caminho a recuperar de medos de voltar a passar por algo semelhante, seja connosco, como com os nossos. Sim, porque quando algo grave acontece com os nossos, a emoção é idêntica. Quando recebes uma chamada de alguém aflito a pedir ajuda. Quando te ligam da escola a dizer que o teu filho se magoou. Quando ligas para casa dos pais e ninguém atende. Quando somos incapazes de controlar o presente, tememos o futuro e somos envolvidos pelo saudosismo do passado.

 

Seja connosco ou com os nossos, volta e meia somos assolados por sustos que nos fazem ver a vida numa pequena fração de segundo. Quando não for evitável é aproveitar!

 

É ser grato, é abrir os olhos do coração e é refletir sobre essas emoções e em especial pelas pessoas que as causaram. Se calhar é essa a mudança que precisas. Se calhar são abraços que não foram dados, conversas silenciadas e projetos escondidos.

 

Se calhar pode ser o princípio de algo!

 

E tu amiga, que sustos já apanhas-te?

Raquel Rodrigues

Cronista "Cartas a uma amiga"

Raquel Rodrigues nasceu no último ano da década 70 do século passado. Cresceu em graça e em alguma sabedoria, sendo licenciada em Gestão, frequenta o mestrado em Santidade: está no bom caminho!

Aproveita cada oportunidade para refletir sobre os sentimentos que as relações humanas despertam e que, talvez, sejam comuns a muitas pessoas. A sua escrita é fruto da vontade de partilhar os seus estados de alma com a “amiga” que pode bem ser qualquer pessoa que leia com disposição cada uma das suas cartas.

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