Quando a nossa força vem da fragilidade do outro
No outro dia contemplava um casal idoso a cuidar de uma filha portadora de deficiência. Desfaziam-se em cuidados e genicas que envergonhavam qualquer jovem como eu. Provavelmente esse casal estaria na fase de ser cuidado, mas perante a fragilidade da filha viu-se e se verá sempre no papel do cuidador. Terão com certeza mazelas da idade e queixumes a fazer, mas são impelidos a por isso de parte para cuidar do outro mais frágil. Esses ganham uma capa de Super poderes que disfarça qualquer mazela da idade.
O mesmo se aplica àqueles que cuidam de idosos que vêem os amigos da sua idade a partir de férias e a postar tudo e mais alguma coisa e resignam-se ao seu papel de cuidadores. Com certeza que gostariam de ser como outros e até se queixar da vida, mas mal se levantam vestem as suas capas de Super heróis e disfarçam a tristeza com um super poder.
Pais que acompanham os filhos em terapias longas e tentam esconder o medo da perda com um sorriso tranquilizador ”está tudo bem”! E lá vão abdicando de uma suposta vida normal por algo profundamente relevante. Que capa de super poderes têm eles!
E as irmãs que não se largam para garantir que nada falte e inventam sorrisos e jantares para disfarçar tristezas e medos de doenças e separações. Que capa de super poder é essa?
Essa é a capa do amor e da empatia. É aquela capa que nos faz superar dores, tristezas e mazelas de modo a podermos aliviar as dores dos outros. É uma capa, sim senhora, pois esconde muita coisa que, volta e meia, merece ser tratada, mas que nos confere um super poder único. Aquele poder que, perante a fragilidade do outro nos faz arregaçar as mangas, relativizar problemas e descobrir soluções. Sem que te apercebas, descobres em ti uma super heroína.
Eu conheço muitas. Muitas netas, filhas, irmãs, mães e pais que descobriram em si uma força que advém da necessidade de ser Tudo para o outro que está frágil. Que se levantam mais cedo que todos, que acompanham em consultas, que mimam e cuidam sem pedir nada em troca.
Há uma frase que diz que “tenho um filhos predileto…é aquele que mais precisa de mim”! E subscrevo essa linha de pensamento para as minhas relações, embora nem sempre possa acudir a todos.
Por isso, sou grata aos super heróis sem capa pois, mesmo sem saberem, ensinam que somos muito mais do que as fragilidades que carregamos e dia a dia insistem em salvar o mundo da indiferença
E tu amiga, que super poder descobriste da fragilidade do outro?