A(s) teia(s) da nossa vida

Cartas a uma amiga 18 setembro 2026  •  Tempo de Leitura: 2

Já reparaste no trabalho que envolve fazer uma teia e ao mesmo tempo para algo tão frágil e efémero. É curioso como as teias cumprem o seu propósito mesmo que desapareçam ou sejam eliminadas rapidamente.

 

Se estivermos atentos, vemos que as aranhas são rápidas e escolhem sítios estratégicos e que permitam atingir os seus objetivos mesmo que isso implique fazer e refazer uma e outra vez. É um animal engenhoso e teimoso!

 

Isso leva-me para a teia das nossas relações. Também nós somos construtores de redes, de ligações que nos ajudam a atingir os nossos propósitos sejam eles materiais, espirituais ou emocionais.

 

Também temos de ser persistentes na união de laços que são muitas vezes assolados por tempestades e ventos mais agrestes.

 

Também temos de perceber quando devemos deixar uma teia e começar outra, num outro lugar mais protegido ou simplesmente mais bonito.

 

Também temos de ajustar o tamanho da teia aos que somos capazes de proteger, cuidar e segurar. Nada pode ficar ao acaso, ou melhor: NINGUÉM.

 

Dá muito trabalho manter uma teia de amizade, pois podemos cair na tentação de achar que ela vale só pelo facto de existir, mas esquecemo-nos que ela apenas resiste na medida em que é fortalecida com gestos e atenções.

 

Será que temos apenas uma teia? Será que temos várias de acordo com o que pretendemos dela? Não sei. Apenas constato que há muita coisa que nos une e que isso é o que nos torna mais fortes. A força que tenho foi tecida por outros, e eu a outros a passarei, e enquanto isso reforço cada um dos fios que me unem ao que me faz ser a melhor versão de mim mesma.

 

Nesta teia gigante onde estamos, movemos e relacionamos somos mais importantes na garantia da sua manutenção do que aquilo que pensamos.

 

E tu, amiga, como é a tua teia?

Raquel Rodrigues

Cronista "Cartas a uma amiga"

Raquel Rodrigues nasceu no último ano da década 70 do século passado. Cresceu em graça e em alguma sabedoria, sendo licenciada em Gestão, frequenta o mestrado em Santidade: está no bom caminho!

Aproveita cada oportunidade para refletir sobre os sentimentos que as relações humanas despertam e que, talvez, sejam comuns a muitas pessoas. A sua escrita é fruto da vontade de partilhar os seus estados de alma com a “amiga” que pode bem ser qualquer pessoa que leia com disposição cada uma das suas cartas.

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