O que mancha a tua alegria?

Cartas a uma amiga 11 julho 2026  •  Tempo de Leitura: 2

O que mancha a tua alegria?

O medo?

A vergonha?

 

Por vezes queremos festejar algo que de bom nos aconteceu, mas parece que nos sentimos tensos e até com medo de celebrar, não vá nada agoirar.

 

Quando uma família recebe a notícia que vai ter um filho, ficam felizes, mas logo começam os receios e o medo.

 

Quando, finalmente, consegues um emprego, celebras mas logo és acometida por medo e dúvidas sobre se és capaz.

 

E por aí fora…

 

Sempre que tens um motivo para festejar, parece que o rastilho é curto porque és assaltada por outras tantas preocupações, medos e até vergonha de mostrar que estás contente.

 

Ora pensa lá, quando foi a última vez que celebras-te uma boa notícia, mas celebrar a sério, com pinchos, saltinhos, e risos de alegria.

 

Quando tiveste esse momento, o que fizeste? Partilhaste essa alegria com quem? Como reagiram?

 

Ou será que escondeste isso para ti, relativizando e até sentindo vergonha como se fosse algo injusto e que não mereceste?

 

É que a nossa alegria cresce quando é partilhada, mas às vezes…essa partilha mata a alegria de qualquer um. Quantas vezes contaste a alguém uma boa notícia e o outro respondeu: Ah que bom, mas…! Isso mata qualquer festejo.

 

Outras vezes até somos nós a matar o entusiasmo dos que nos rodeiam, umas vezes por medo outras por uma pontada de inveja.

 

Não é fácil sentir a alegria pura de uma criança quando abre um brinquedo no Natal, ou que reencontra o abraço do pai depois de tanto o procurar. Uma alegria despreocupada e totalmente confiante no que sente no agora, sem mancha de medos ou invejas.

 

Ora pensa lá! Se calhar temos de treinar mais essa aptidão para a felicidade e a sua celebração.

 

E tu, amiga, o que achas que mancha a tua alegria?

Raquel Rodrigues

Cronista "Cartas a uma amiga"

Raquel Rodrigues nasceu no último ano da década 70 do século passado. Cresceu em graça e em alguma sabedoria, sendo licenciada em Gestão, frequenta o mestrado em Santidade: está no bom caminho!

Aproveita cada oportunidade para refletir sobre os sentimentos que as relações humanas despertam e que, talvez, sejam comuns a muitas pessoas. A sua escrita é fruto da vontade de partilhar os seus estados de alma com a “amiga” que pode bem ser qualquer pessoa que leia com disposição cada uma das suas cartas.

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