As nossas inconstâncias

Cartas a uma amiga 12 junho 2026  •  Tempo de Leitura: 2

 Gosto de confiar nas pessoas;

Gosto de saber que posso contar com elas;

Gosto que se cumpram compromissos;

Gosto de alguma previsibilidade de comportamentos.

 

E tu?

 

Não gosto quando me dizem que vão e não vão;

Não gosto que digam algo que não corresponde às ações;

Não gosto que se comprometam e depois ignorem o compromisso.

 

E tu?

 

Tenho um pouco de dificuldade em confiar nas pessoas que parece que fazem tudo, e nos vendem a ideia de que amanhã te resolvem o problema e depois desaparecem e escondem-se atras de desculpas e desculpas.

 

Aquelas pessoas que se comprometem a passar logo lá em casa para te resolver algo, e não aparecem.

 

Aqueles que dizem que adoram o que faço mas quando pergunto, nem se quer sabem do que falo.

 

Arrisco-me a dizer que já todos fizemos isto. Em algum momento tivemos uma epifania de euforia e dizemos: “eu faço isto e aquilo” e depois passa como uma brisa. Depois fracassamos e pomos nas gavetas os projetos que idealizamos. É agora…mas não foi!

 

O problema aumenta quando envolvemos outros nas nossas inconstâncias e fracassamos com as nossas promessas. O problema é que há cada vez mais pessoas que ora é tudo, ora é nada e isso quebra qualquer espirito de confiança que alicerça as relações.

 

Quando no auge da nossa vontade, nos comprometemos, devemos garantir que caso não o façamos, pelo menos desculpamo-nos e assumimos: olha que o outro repara, e às vezes o outro és tu.

 

Não pares de sonhar e envolver quem te ama, mas mostra-lhe respeito tanto no sucesso como no fracasso.

 

E tu amiga, tens sido inconstante?

Raquel Rodrigues

Cronista "Cartas a uma amiga"

Raquel Rodrigues nasceu no último ano da década 70 do século passado. Cresceu em graça e em alguma sabedoria, sendo licenciada em Gestão, frequenta o mestrado em Santidade: está no bom caminho!

Aproveita cada oportunidade para refletir sobre os sentimentos que as relações humanas despertam e que, talvez, sejam comuns a muitas pessoas. A sua escrita é fruto da vontade de partilhar os seus estados de alma com a “amiga” que pode bem ser qualquer pessoa que leia com disposição cada uma das suas cartas.

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