A tua fé te salvou

Cartas a uma amiga 6 junho 2026  •  Tempo de Leitura: 2

Quando algo não nos corre bem temos a tendência de apontar o dedo a Deus e perguntar: “onde estavas?”

 

Quando vemos as notícias na televisão de guerras e destruição temos a tendência de apontar o dedo a Deus e perguntar: “porque não fazes nada?”

 

Temos vontade de nos revoltar e até cobrar a Deus toda a nossa devoção, oração e missão em prol da messe, em troca de benfeitorias eternas. Será legítimo?

 

Gostaria muito de não ser assolada por preocupações mas, não seria mais santa por isso. Que testemunho daria eu aos outros se amar Deus apenas porque ele me dá o que quero?

 

Que testemunho daria aos outros se abandonasse a minha fé apenas porque Deus, aparentemente, me virou as costas, provando-me com a doença, morte ou dificuldades financeiras?

 

É mais fácil testemunhar Deus quando assistes a milagres, mas será tão mais importante nos momentos em que estiveres a passar dificuldades teres a capacidade de, ainda assim, louvares a Deus e a mostrar que confias Nele.

 

Toma por exemplo o amor de uma mãe ou pai.

 

Quando é que nos focamos mais nos filhos? Precisamente quando mais eles precisam de nós. Podem ter mil e um defeitos, mas basta tossir ou estarem abatidos que lá vamos nós com todo o amor.

 

E é muito fácil falar dos nossos filhos quando eles são bons alunos, atletas, educados, mas não será mais valente aquele que apesar de reconhecer as fragilidades do filho ainda tem a coragem de testemunhar o quanto o ama?

 

E nós? Basta a vida correr mal que duvidamos logo do amor de Deus e pomos em causa a nossa fé como se ela de nada nos valesse.

 

Será que ainda não nos apercebemos que a nossa fé, a nossa confiança, enfim o nosso amor a Deus é o que nos salva? O que seria de nós, se apesar das contrariedades, não tivéssemos a certeza de que não estamos sós e que nada é em vão?

 

Por isso se um dia estiveres a passar um mau momento e te perguntarem: “Ainda assim tens fé?” Lembra-te de responder: “O que seria se não tivesse?”

 

E tu amiga, quando sentiste que a tua fé te salvou?

Raquel Rodrigues

Cronista "Cartas a uma amiga"

Raquel Rodrigues nasceu no último ano da década 70 do século passado. Cresceu em graça e em alguma sabedoria, sendo licenciada em Gestão, frequenta o mestrado em Santidade: está no bom caminho!

Aproveita cada oportunidade para refletir sobre os sentimentos que as relações humanas despertam e que, talvez, sejam comuns a muitas pessoas. A sua escrita é fruto da vontade de partilhar os seus estados de alma com a “amiga” que pode bem ser qualquer pessoa que leia com disposição cada uma das suas cartas.

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