Desculpa… eu disso não percebo nada!

Cartas a uma amiga 16 maio 2026  •  Tempo de Leitura: 3

Creio que ninguém gosta de pedir. 

 

Há um incómodo em termos de pedir um favor, um jeitinho ou uma ajuda pois revela uma fragilidade que nem sempre gostamos de assumir. Eu confesso, não gosto! É mais fácil pedir para alguém do que para nós, não achas?

 

Mas, volta e meia, tentamos a nossa sorte porque precisamos ou, simplesmente para ter algum facilitismo.

 

Quantos de nós já não pediram para dar um jeitinho numa lista de espera, um jeitinho numa informação que pelos meios normais teima em chegar, um jeitinho para uma oportunidade de emprego ou outra situação…quem nunca!?

 

Custa tanto pedir! Se calhar porque achamos que não é correto pois não gostamos de incomodar ou aborrecer alguém com a nossa situação. Nem sempre “pedi, e ser-vos-á dado” funciona com Deus, quanto mais com os homens.

 

Muitos de nós já tiveram o poder na mão de dar jeitinhos capazes de mudar a vida de alguém sem prejudicar a dos outros, mas outros, quando o podem fazer escusam-se.

 

Estão no direito de recusar ajudar e até podem alegar que não lhes é possível, mas até nisso é preciso sensibilidade. Acho que quase todos nós, já nos recusamos a ajudar, seja a dar esmola ou a participar em algo…quem nunca!?

 

Não estou a julgar nem criticar, apenas refletir sobre a nossa atitude perante as duas situações: teres de pedir, e alguém ter de te pedir a ti!

 

Há uns bons anos, pedi uma informação sobre um concurso a alguém que estava na área e para a qual eu nunca me tinha recusado a ajudar nas inúmeras vezes que fui solicitada. Expus o meu pedido e recebi secamente: “Desculpa eu disso, não percebo nada”. Sem mais! Nem um indicação de quem me poderia ajudar, sem qualquer empatia ou gentileza. Já lá vão muitos anos e nunca apaguei esse email. Acho que o guardo para me lembrar de não fazer o mesmo. Não o guardo com rancor nem à espera de vingança, foi o que foi, nunca mais vi essa pessoa e desejo-lhe o melhor.

 

Peço para que de cada vez que alguém tiver pedir, não escute nem silêncio, nem ofensa, nem desdém.

Que sirva de oração:

  • Peço para que o meu coração não se endureça perante os pedidos que me chegam como resultado das ausências de respostas em relação aos meus.
  • Peço a empatia para aceitar que apesar de “ não perceber nada disso”, posso procurar quem saiba.
  • Peço a sabedoria para acolher cada pedido sem arrogância.

 

E peço que nunca tenha de pedir em desespero e que do outro lado encontre sempre alguém que me acolha e me conforme.

 

 E tu amiga, quantas vezes usaste uma desculpa para não ajudar?

Raquel Rodrigues

Cronista "Cartas a uma amiga"

Raquel Rodrigues nasceu no último ano da década 70 do século passado. Cresceu em graça e em alguma sabedoria, sendo licenciada em Gestão, frequenta o mestrado em Santidade: está no bom caminho!

Aproveita cada oportunidade para refletir sobre os sentimentos que as relações humanas despertam e que, talvez, sejam comuns a muitas pessoas. A sua escrita é fruto da vontade de partilhar os seus estados de alma com a “amiga” que pode bem ser qualquer pessoa que leia com disposição cada uma das suas cartas.

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