Estou cansada

Cartas a uma amiga 25 abril 2026  •  Tempo de Leitura: 2

Cansa-me a luta constante por ver o melhor de tudo.

 

Cansa-me o esforço para por a render as ideias que me dás, Senhor!

 

Cansa-me os pensamentos de tristeza e de injustiça que volta e meia me assolam.

 

Queria tanto Senhor, que me desses a capacidade de lidar melhor com aquilo que não controlo. Ter o poder da eloquência e da argumentação sem que pareça ofendida e no limiar de perder a razão. Cansa-me ter de fazer silêncio sob pena de magoar e cansa-me o silêncio dos outros que esperam que seja sempre eu a chegar com a cabeça à frente.

 

Incomoda-me a subserviência e a desvalorização do que se faz sob o mote do: “não vale a pena” ou “ não funciona”. E dou por mim a dizer: basta! Se calhar não vale mesmo a pena e como tal vou por outro caminho.

 

Estou cansada! E pior do que isso é sentir que, de nada me adianta pois o meu cansaço e frustração esbarram na insensibilidade de quem tem o poder de decidir ou simplesmente de matar ideias.

 

Estou cansada de pensar, organizar e idealizar projetos que, por melhor que sejam não, são tão bons como os outros como se estivéssemos em constante comparação e competição. 

 

Dou por mim a fazer juízos de valor e a distanciar-me daquilo que quero sentir. Dou por mim a fechar olhos para não ver, e ouvidos para não ouvir com medo daquilo que vou pensar. E sim, cansa-me esta constante luta entre o que sinto e o que gostaria de sentir. E dou por mim num ponto em que a única coisa que peço é: Senhor, pega-me ao colo!

 

E tu, amiga, de que estás cansada?

Raquel Rodrigues

Cronista "Cartas a uma amiga"

Raquel Rodrigues nasceu no último ano da década 70 do século passado. Cresceu em graça e em alguma sabedoria, sendo licenciada em Gestão, frequenta o mestrado em Santidade: está no bom caminho!

Aproveita cada oportunidade para refletir sobre os sentimentos que as relações humanas despertam e que, talvez, sejam comuns a muitas pessoas. A sua escrita é fruto da vontade de partilhar os seus estados de alma com a “amiga” que pode bem ser qualquer pessoa que leia com disposição cada uma das suas cartas.

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