Não vás embora, fazes falta!

Cartas a uma amiga 9 maio 2026  •  Tempo de Leitura: 2

Às vezes é só isto que precisamos de ouvir para dar mais um bocadinho, para fazer mais um esforço.

 

Quantas vezes já dissemos: vou desistir, vou embora? Será que queríamos mesmo desistir e ir embora?

 

Quando trabalhamos nem sempre nos sentimos valorizados e devidamente recompensados e às vezes é mais fácil sair, ir embora, mesmo que não queiramos e que nos faça sentir derrotados.

 

Mas se pensarmos bem, às vezes, apenas precisamos que alguém nos diga: ”Não vás embora, fazes falta!”. E não é por ego, mas por reconhecimento que precisamos ouvir e sentir que não somos tão irrelevantes ao ponto de irmos embora e sermos facilmente substituídos. Podem substituir o que fazemos mas não o que somos e como fazemos.

 

Há alturas em que temos mesmo de ir embora, virar a página e prosseguir caminho noutro trabalho, noutro grupo, noutra missão mas mesmo assim sabe tão bem ouvir: ”não vás…fazes falta!

 

Mas nem sempre é assim, às vezes partilhamos esse desânimo e ninguém luta por nós. Ninguém insiste e nos convence a acreditar no nosso valor. É mais fácil aceitar e acenar com a cabeça em tom paternalista como quem compreende e aceita, mas nem sempre é isso que precisamos de ouvir.

 

Precisamos mais de:

- anda cá, preciso de ti!

- já vais? fica mais um pouco.

- sei que está cansada mas as coisas vão mudar.

- vá lá… não desistas!

 

Diz lá se não faz toda a diferença. Mesmo no nosso dia a dia, quando nos despedimos dos pais do marido, dos filhos e dos amigos, sabe bem ouvir ”já vais? Fica mais um pouco!”.

 

Por isso amiga, da próxima vez que alguém disser que quer desistir e ir embora, pergunta-lhe porquê e lembra-a da sua importância, porque, sabes, às vezes,  vezes de mais, achamos que não somos importantes e precisamos que alguém não desista de nós e diga: "Não vás embora… fazes falta!”

 

E tu amiga, onde sentes que fazes falta?

Raquel Rodrigues

Cronista "Cartas a uma amiga"

Raquel Rodrigues nasceu no último ano da década 70 do século passado. Cresceu em graça e em alguma sabedoria, sendo licenciada em Gestão, frequenta o mestrado em Santidade: está no bom caminho!

Aproveita cada oportunidade para refletir sobre os sentimentos que as relações humanas despertam e que, talvez, sejam comuns a muitas pessoas. A sua escrita é fruto da vontade de partilhar os seus estados de alma com a “amiga” que pode bem ser qualquer pessoa que leia com disposição cada uma das suas cartas.

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