Que eu veja, Senhor!
Dá-me um olhar puro, uma sabedoria capaz de ver o que os meus olhos não alcançam e compreender o que a minha mente não aceita.
Peço-te Senhor, a capacidade de ver o melhor que o meu irmão tem, sem achar que tenho de ter algo a dizer que não seja a seu favor.
Peço-te Senhor, a capacidade de reconhecer que nem sempre tenho de ter opinião sobre tudo o que vejo, pois nem sempre tenho o olhar limpo de preconceito.
Permite-me ver o que me faz falta e não tanto o que me querem vender.
Acima de tudo, faz com que eu veja o que preciso para ser uma pessoa melhor.
Sabes Senhor, não é fácil ver o bom das coisas quando vemos tanta injustiça. Nem reconhecer o outro quando não nos sentimos reconhecidos.
Não é fácil ver o belo sem parecermos ignorantes ou insensatos.
Não é fácil ver e reconhecer quando é tempo de falar ou tempo de calar.
Não é fácil Senhor, mas disso Tu também sabes!
Não deve ter sido fácil convencer os teus apóstolos a remar contra a corrente de uma religião tão presa a preceitos que descurava o essencial. Também não deve ter sido fácil perdoar as traições, injúrias e ofensas que te levaram à Cruz.
Confias-te até ao fim e sei que queres que eu confie.
Não preciso de ver para acreditar, nada disso, mas preciso de sentir que nada é em vão.
Que o empenho e a oração, a dádiva e a solidariedade não são minados por comportamentos menos próprios, pelo desdém ou a mera indiferença.
Vemos muita coisa Senhor, mas parece que somos cegos para a beleza que nos rodeia e que nos lembra, dia a após dia que temos de confiar pois, uma semente para brotar, passou meses a preparar-se para isso e tu e eu nem demos por isso.
Que eu Te veja!
E tu amiga, o que sentes que não estás a conseguir ver?