Precisamos de nos sentir convidados

Cartas a uma amiga 17 janeiro 2026  •  Tempo de Leitura: 2

Dou por mim a ir a algumas reuniões e encontros e a contar pelo dedo das mãos o número de pessoas presentes. Acho que é algo transversal a várias organizações. Sejam reuniões de escola, catequese, momentos de oração ou celebrações, parece que olhamos para o lado e somos sempre os mesmos. Acho que a única exceção é aquela em que envolve ComidaJ e música- ou melhor festa! Brincadeira à parte, vejo com alguma preocupação as escolhas que fazemos para o pouco tempo livre que temos. Sem qualquer tipo de julgamento ou preconceito, sinto que para estarmos presentes temos de sentir um apelo difícil de explicar. 

 

Umas vezes o apelo é a obrigação, outra o carinho por uma ou outra pessoa, outra um gosto pessoal e por aí fora, mas a nossa motivação é sempre diferente.

 

Num mundo com tantas solicitações de atividades e ocupações, como fazer com que a pessoa que convidamos participe no nosso “banquete”? Como fazer que ela escolha a nossa proposta em vez de outra qualquer? Não tenho resposta, e isso também me inquieta pois já senti o que é fazer um convite e a adesão não ser a esperada.

 

Também não acho que devemos ser displicentes no momento do convite e achar que basta anunciar para que as pessoas automaticamente se façam presentes. Até nisto devemos ser criativos e originais sem que pareça que andamos a vender a alma ao diabo e a oferecer mundos e fundos. No entanto, quando sentimos que a nossa presença pode ser um bom contributo para uma reunião, sentimo-nos impelidos a ir pois sabemos que vamos ser acolhidos com carinho. 

 

Quantas vezes abdicamos do nosso conforto para irmos a uma encontro ou reunião e viemos de lá a dizer ”mais valia ter ficado em casa”? Outras vezes, vamos sem expectativas alguma e vimos satisfeitos, acolhidos e felizes e a dizer ”valeu a pena”.

 

Quando foi a última vez que isso te aconteceu? Porque foste? Quem te chamou? Como te chamou? O segredo talvez resida na resposta a estas perguntas.

 

Convidar de modo a que outro se sinta acolhido e importante, afinal abdicou de algo, por mais trivial que seja, para estar ali.

 

E tu, amiga, o que te faz sentir convidada?

tags: Raquel dias

Raquel Rodrigues

Cronista "Cartas a uma amiga"

Raquel Rodrigues nasceu no último ano da década 70 do século passado. Cresceu em graça e em alguma sabedoria, sendo licenciada em Gestão, frequenta o mestrado em Santidade: está no bom caminho!

Aproveita cada oportunidade para refletir sobre os sentimentos que as relações humanas despertam e que, talvez, sejam comuns a muitas pessoas. A sua escrita é fruto da vontade de partilhar os seus estados de alma com a “amiga” que pode bem ser qualquer pessoa que leia com disposição cada uma das suas cartas.

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