Entre a esperança e o desespero.

Cartas a uma amiga 14 fevereiro 2026  •  Tempo de Leitura: 3

A palavra central destes tempos é a Esperança como atitude que qualquer cristão deve cultivar, a par da virtude da fé e da caridade. Mas o que é isto de ter Esperança????

 

Esta esperança cristã “que não nos engana” põe-nos à prova muitas vezes quebrando a nossa confiança e levando-nos, algumas vezes, muito perto do desespero.

 

Vou ser muito franca, é muito difícil dar razões para a Esperança quando tu estás numa situação difícil. Quando tens um problema que não consegues resolver, uma doença, instabilidade económica ou qualquer outra coisa que te perdu

ra no tempo e que demora a resolver, diz-me: como mantemos acesa a luz da Esperança?

 

Quando rezamos, pedimos, falamos e tentamos manter a dignidade de sermos a nossa melhor versão de nós mesmos e mesmo assim sentimos que nunca é a nossa vez de termos o sucesso e a tranquilidade que tanto gostaríamos, diz-me: como mantemos a luz da Esperança?

 

Não falo em situações esporádicas, nem de fácil resolução, mas de processos que duram mais tempo do que o que gostaríamos e nos testa a virtude da esperança. Rezamos, confiamos e esperamos que algo mude e se transforme, mas parece difícil! Começa a surgir a nuvem do desânimo e perguntamos: Senhor, então e eu?

 

É que a Esperança deve implicar a concretização. Quando Esperas, sabes o que esperas, desejas o que esperas e sabes que a Espera acaba com o cumprimento do propósito que te fez esperar. Certo? Mesmo que o resultado final não seja o esperado, precisamos de fechar esse ciclo e criar novos projetos, começar outra Espera.

 

Precisamos de sentir entusiasmo e alegria, mas às vezes a nossa Esperança esvai-se pois cansamo-nos de acreditar no bom senso, nos amigos que parecem desistir de nós e até em nós mesmos. A linha torna-se muito ténue e sentes-te defraudada…mas sabes amiga, a tua espera pode nem ter valido a pena, mas a Esperança Cristã, essa vale! No entanto, acredito que a Esperança tem de se materializar em atos de amor concretos sob pena de ser apenas mais uma palavra “que leva o vento” e de parecermos vendedores a algo em que não acreditamos. Haja sinais concretos de Esperança.

 

E tu, amiga, como vais materializar a Esperança nos outros?

Raquel Rodrigues

Cronista "Cartas a uma amiga"

Raquel Rodrigues nasceu no último ano da década 70 do século passado. Cresceu em graça e em alguma sabedoria, sendo licenciada em Gestão, frequenta o mestrado em Santidade: está no bom caminho!

Aproveita cada oportunidade para refletir sobre os sentimentos que as relações humanas despertam e que, talvez, sejam comuns a muitas pessoas. A sua escrita é fruto da vontade de partilhar os seus estados de alma com a “amiga” que pode bem ser qualquer pessoa que leia com disposição cada uma das suas cartas.

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