Tens o copo cheio.

Cartas a uma amiga 10 janeiro 2026  •  Tempo de Leitura: 2

Não há nada que te possa dizer que acrescente alguma coisa ou que possa ser bem recebido. Já sentiste isso? Eu já! E sabes, tanto tentei encher, como às vezes, eu própria pareço um copo cheio.

 

Começo por aí. Por vezes estamos tão cheios das nossas convicções e ideias que damos por nós a ter dificuldade de ouvir e aceitar valores diferentes dos nossos. Mudamos de canal, de estação de rádio e deixamos de ouvir aquilo que aparentemente já sabemos. Andamos tão cansados das mesmas notícias e informações, exploradas até ao limite, que sempre que temos de ter trabalho para saber mais sobre algo ficamos cansados. Ver uma reportagem, conversar com alguém que pensa diferente de nós, ora acaba em discussão ou em aborrecimento. Lemos as letras gordas das notícias, vemos os tiktoks e pronto…já sabemos tudo sobre o assunto!

 

O conhecimento cansa!

 

Outras vezes somos nós a tentar “encher o copo a alguém” mas nem sempre o outro quer da água que lhe damos. Ora porque somos chatos, ora porque o assunto não interessa e nem sempre conseguimos captar o interesse de quem nos ouve. Falamos e falamos e o outro limita-se a acenar com a cabeça e a reter pouco.

 

Quando provocamos a audiência com somos rotulados de “ultrapassados” pois quem nos ouve já sabe tudo sobre o assunto, ou considera que, o que sabemos, nada acrescenta à sua felicidade.

 

E prontos, não conseguimos levar a “água ao nosso moinho”.

 

Nem sempre somos o copo capaz de receber o que nos é dado e nem sempre somos a água que o copo precisa de receber.

 

Acredito, contudo, que alguma coisa se aproveite.

 

Da minha parte, vou tentando esvaziar o copo de preconceitos, juízos de valor, e ideias pré concebidas para que possa haver espaço para outras ideias diferentes das minhas. Nesse processo decido, qual a água que quero ter, ou seja, quais os valores e convicções que não posso abdicar e não devo desvalorizar na esperança de que a minha água possa também ser proveitosa para outros.

 

Até lá… que nunca te falte a água pura!

 

E tu amiga, como está o teu copo?

Raquel Rodrigues

Cronista "Cartas a uma amiga"

Raquel Rodrigues nasceu no último ano da década 70 do século passado. Cresceu em graça e em alguma sabedoria, sendo licenciada em Gestão, frequenta o mestrado em Santidade: está no bom caminho!

Aproveita cada oportunidade para refletir sobre os sentimentos que as relações humanas despertam e que, talvez, sejam comuns a muitas pessoas. A sua escrita é fruto da vontade de partilhar os seus estados de alma com a “amiga” que pode bem ser qualquer pessoa que leia com disposição cada uma das suas cartas.

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