O caminho de Samuel: BARRO, ÁGUA E NOVO OLHAR (4.º Domingo)

Conto 15 março 2026  •  Tempo de Leitura: 1

Tomé era conhecido na praça como “o rapaz do barro”. Moldava pequenas figuras com uma habilidade surpreendente, mesmo sem ver. As pessoas compravam as peças, mas raramente lhe dirigiam a palavra.

 

Um dia, houve um homem que lhe tocou os olhos com barro e o enviou à fonte do “Enviado”, aí tudo mudou. Ganhou um talento ímpar… moldava o barro como ninguém, mesmo tendo uma visão míope.

 

Tomé começou a ver com os «olhar interior». Uma confusão de luzes, formas e rostos. Mas rapidamente começou a reconhecer mais do que imagens, começou a reconhecer pessoas.

 

Samuel assistiu ao momento em que um homem que sempre ridicularizara Tomé, menosprezando-o, se aproximou, envergonhado. Tomé não respondeu com dureza. Sorriu. Disse apenas: “Agora vejo-te.”

 

Esse gesto perturbou Samuel mais do que o milagre do olhar interior. Ele próprio carregava julgamentos silenciosos, pequenas feridas não resolvidas. Percebeu que a verdadeira cegueira não é não ver, mas ver sem amar.

 

Nessa noite, Samuel rezou por alguém de quem se tinha afastado. Foi um gesto pequeno, mas decisivo.

 

Pergunta para rezar:

👉 Que pessoa Deus me convida hoje a ver com os olhos da misericórdia?

Sérgio Carvalho

Cronista

Professor e Jornalista (CP 7993)

Subscrever Newsletter

Receba os artigos no seu e-mail