O caminho de Samuel: O POÇO NO BAIRRO (3.º Domingo – 1.º Escrutínio)
O bairro onde Samira vivia era atravessado por uma rotina previsível: autocarros cheios, cafés ruidosos, gente cansada. No centro, quase esquecido, havia um chafariz antigo onde a água corria com uma fidelidade silenciosa. Samuel começou a acompanhar Samira naquele pequeno ritual matinal.
Naquela manhã, um homem aproximou-se. Não era alguém que se destacasse, mas havia no seu olhar uma atenção que desarmava. Pediu água. Depois perguntou, com uma delicadeza desconcertante: “De que tens sede, verdadeiramente?”
Samira tentou responder com frases simples, mas acabou por falar do que nunca dizia: a solidão que sentia mesmo rodeada de gente, a sensação de não ser suficiente, a ferida de relações falhadas. Samuel escutava em silêncio, surpreendido pela coragem dela.
O homem não respondeu com conselhos. Limitou-se a escutar e a dizer: “A tua sede é lugar de encontro.” Depois desapareceu como tinha vindo.
Ao regressarem, a água parecia igual, mas não era. Samuel viu pessoas a beber e a sorrir, como se algo dentro delas tivesse sido tocado. Percebeu que Cristo não elimina a sede — transforma-a em caminho de salvação.
Nesse dia, Samuel começou a escrever num caderno as suas próprias sedes. Era o início de uma verdade mais profunda.
Pergunta para rezar:
👉 Que sede escondida preciso deixar que Cristo toque com a sua misericórdia?