Muitos adolescentes já não reconhecem a autoridade dos adultos!
Tem sido uma reflexão partilhada com colegas de trabalho, amigos e família nos últimos meses. O facto é que esta perceção não é nova.
Temos adultos que prolongaram a infância até aos 25 anos; aos 30, são ainda adolescentes; aos 50, vestem-se e divertem-se como se tivessem 30... Será que esta imaturidade adulta confere prestígio à vida? Achamos que não! Investigadores nas áreas da pedagogia, psicologia e antropologia consideram a maturação fundamental para se ser mãe ou pai, e até para quem tem funções educativas (professores, treinadores, líderes de grupos e associações...).
Não é de estranhar que na sociedade atual vejamos muitos adultos que têm dificuldade em respeitar as regras mais simples do desenvolvimento humano e moral. Estão cada vez mais nervosos, exibindo comportamentos agressivos em relação aos outros, tanto em casa como no trabalho, como nos diversos contextos sociais: estando como pais, como amigos, como colegas, como condutores...
Portanto, é normal que os adolescentes tenham dificuldade em reconhecer qualquer autoridade nos adultos. Aliás, quando um pai ou uma mãe me vem dizer que é o melhor ou a melhor amiga do seu filho ou filha, tenho sérias dúvidas que a figura de autoridade, guia ou ponto de referência, seja percecionada facilmente por aquele adolescente...
Cada vez mais os adultos demonstram relutância em assumir as suas responsabilidades, esquivam-se aos seus deveres e, perante as dificuldades, ficam sensíveis, irritados e até se distanciam! E esta última é uma decisão, uma escolha, uma opção, um ato reflexivo.
E isto ocorre, muitas vezes, na presença de crianças pequenas ou adolescentes, que assim ficam confusos pela falta de pontos de referência, que deveriam ser fornecidos, antes de mais, pelos pais.
Como professor começo a habituar-me a ver os pais que tomam as dores dos seus educandos sem antes refletirem sobre o assunto, ou procurarem, de forma educada, uma conversa para esclarecer uma situação ocorrida na escola ou na avaliação.
Vejo frequentemente adolescentes que precisam de conselho ou simplesmente da atenção e presença da figura paterna ou materna para se tranquilizarem, e essa figura de autoridade está ausente. Outras vezes presente mas absorvida nas redes sociais ou nos seus próprios interesses profissionais e sociais.
Uma comunidade de adultos capazes de se questionar e de se autocorrigir será sempre um grande exemplo educativo para os jovens e as crianças, bem como uma mensagem de confiança e esperança num futuro melhor.
Bom Ano Letivo!