Muitos adolescentes já não reconhecem a autoridade dos adultos!

Crónicas 15 setembro 2026  •  Tempo de Leitura: 3

Tem sido uma reflexão partilhada com colegas de trabalho, amigos e família nos últimos meses. O facto é que esta perceção não é nova.

 

Temos adultos que prolongaram a infância até aos 25 anos; aos 30, são ainda adolescentes; aos 50, vestem-se e divertem-se como se tivessem 30... Será que esta imaturidade adulta confere prestígio à vida? Achamos que não! Investigadores nas áreas da pedagogia, psicologia e antropologia consideram a maturação fundamental para se ser mãe ou pai, e até para quem tem funções educativas (professores, treinadores, líderes de grupos e associações...).

 

Não é de estranhar que na sociedade atual vejamos muitos adultos que têm dificuldade em respeitar as regras mais simples do desenvolvimento humano e moral. Estão cada vez mais nervosos, exibindo comportamentos agressivos em relação aos outros, tanto em casa como no trabalho, como nos diversos contextos sociais: estando como pais, como amigos, como colegas, como condutores...

 

Portanto, é normal que os adolescentes tenham dificuldade em reconhecer qualquer autoridade nos adultos. Aliás, quando um pai ou uma mãe me vem dizer que é o melhor ou a melhor amiga do seu filho ou filha, tenho sérias dúvidas que a figura de autoridade, guia ou ponto de referência, seja percecionada facilmente por aquele adolescente...

 

Cada vez mais os adultos demonstram relutância em assumir as suas responsabilidades, esquivam-se aos seus deveres e, perante as dificuldades, ficam sensíveis, irritados e até se distanciam! E esta última é uma decisão, uma escolha, uma opção, um ato reflexivo.

 

E isto ocorre, muitas vezes, na presença de crianças pequenas ou adolescentes, que assim ficam confusos pela falta de pontos de referência, ​​que deveriam ser fornecidos, antes de mais, pelos pais.

 

Como professor começo a habituar-me a ver os pais que tomam as dores dos seus educandos sem antes refletirem sobre o assunto, ou procurarem, de forma educada, uma conversa para esclarecer uma situação ocorrida na escola ou na avaliação.

 

Vejo frequentemente adolescentes que precisam de conselho ou simplesmente da atenção e presença da figura paterna ou materna para se tranquilizarem, e essa figura de autoridade está ausente. Outras vezes presente mas absorvida nas redes sociais ou nos seus próprios interesses profissionais e sociais.

 

Uma comunidade de adultos capazes de se questionar e de se autocorrigir será sempre um grande exemplo educativo para os jovens e as crianças, bem como uma mensagem de confiança e esperança num futuro melhor.

 

Bom Ano Letivo!

Licenciado em Teologia. Professor de EMRC. Adora fazer Voluntariado.

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