Os que nem choram nem riem
Há pessoas que acabam por se tornar numa das piores espécies de infelizes. É de tal forma perigoso que Deus afirmou que os iria vomitar.
Há pessoas que acabam por se tornar entre as mais infelizes que existem. A tibieza é tão perigosa que Deus afirmou que vomitaria os mornos.
São os que não são quentes nem frios: hesitam nos compromissos, vivem sem entusiasmo e sem paixão.
Cuidam das aparências. São dóceis e adaptam-se muito bem a tudo, tão bem que parecem não ter coluna vertebral. Claro, prometem com um tom de grande autoridade, mas quando chega a hora da verdade, não avançam. Nem recuam. Não fazem nada e agem como se essa fosse a reação mais acertada.
Quem se mantém neutro durante tempos difíceis, esperando apenas que passem, e evitando qualquer conflito, é e será sempre infeliz, a menos que, em algum momento, assuma uma convicção, a defenda e lute por ela como algo pelo qual valha a pena viver e morrer.
Os tíbios temem o fracasso ao ponto de evitarem qualquer situação em que possam falhar. Falam muito, fazem pouco ou nada. Temem mais a opinião dos outros do que a perdição da própria alma.
A vida que têm vai-se perdendo dia a dia, numa espécie de sono interior que torna a pessoa cada vez mais apática e acomodada, sem entusiasmo ou coerência.
A pessoa continua a fazer o básico, mas sem firmeza, sacrifício, alegria ou a mais pequena marca de generosidade. Não se chega aqui depois de uma qualquer quebra brusca, trata-se de um desgaste silencioso da vontade.
O amor é inteiro. Exige entusiasmo constante, uma rotina vivida com alma, trabalho, fidelidade e luta interior contra as tentações que o enfraquecem, sem fazer contas ao que se perde nem ao que se ganha.
Quem ama, chora e ri. Muito.