Lágrimas de tristeza, provas de amor
Como seria o dia se não houvesse noite? Quem desfrutaria do sol se nunca chovesse? Quem valorizaria a saúde se não houvesse doença?
A essência e a grandeza do amor revelam-se na forma como lidamos com a perda. Sofre-se porque se ama. Amamos, de forma mais ou menos consciente, sabendo que, num só instante, tudo muda e o amor tem de crescer e transformar-se. O amor não morre nem se perde, mas aqueles que amamos podem afastar-se de nós e terão de morrer.
Quando? A incerteza é certa. Mas também é certo que quem ama e quer continuar a amar deve evitar desperdiçar o tempo, como se fosse eterno neste mundo. As riquezas que se perdem podem sempre ser recuperadas, mas o tempo não.
Que a tristeza do fim de uma etapa nasça menos do arrependimento pelo que ficou por fazer e mais da esperança de um novo tempo.
O que seria da vida se não houvesse morte? O que seria o amor se não tivesse de ser posto à prova?
Quantos de nós valorizamos aquilo que temos e somos hoje, sabendo que tudo pode perder-se… ainda hoje? A nossa existência é frágil. Estamos apenas de passagem neste mundo. Procuremos amar na certeza de que o amor, tal como nós, não pertence a este mundo.
Quem acumula coisas e quer ter sempre mais está a prender-se a este mundo, do qual um dia — talvez hoje — terá de partir.
Amemos e choremos as perdas, até mesmo antes de acontecerem. Amar implica esse sofrimento. Que esse sofrimento nos mantenha atentos à missão de amar e de nos abrirmos ao amor de que precisamos.
Uma lágrima é sempre uma prova de amor — e talvez também uma fonte de esperança para quem não desiste de amar.