Sinto-me obrigado a agradecer
Todos esperamos que, a seguir a um dia, venha outro; a um ano, venha outro.
Com o passar do tempo, mais ou menos sós, ou talvez cada vez mais sozinhos, sentimos que, apesar das escuridões, há sempre luz. A verdade da noite é também a certeza do amanhecer que, ainda que possa tardar, não falha.
Viver é envelhecer. Pouco a pouco, e à medida que nos afastamos dos dias passados, melhor os vemos e mais compreendemos as razões dos nossos méritos e o porquê dos nossos insucessos. Por isso, nuns momentos é reconfortante e noutros é um inferno, porque — como acreditamos — bastaria uma decisão diferente para tudo ter sido diferente… e a culpa da má escolha é só nossa… e, apesar de isso ser um disparate, faz-nos sofrer.
Mas envelhecer é viver mais tempo e viver é bom! Importa é que não desperdicemos o nosso hoje à espera do amanhã, nem nos deixemos ficar por terra depois de cada perda.
Morre o coração de quem já não tem a quem amar, nem um rumo a seguir.
O que me ocupa o espírito? O que sou? O que posso ser, ou o que já não sou?
Que ninguém se canse de si mesmo. Que eu saiba sempre ir ao encontro dos que, como eu, precisam de afeto, tanto quanto de ar para respirar!
Que eu navegue as tempestades da minha vida sem deixar que a minha atenção se desvie nem do destino que escolhi, nem daquilo que posso e devo fazer a cada dia.
Agradeço, muito, a cada uma das pessoas que é parte de mim e da história da minha vida. A si, por me ler, acredite que sinto, muitas vezes, a sua companhia. Obrigado, muito.