A leveza e a beleza de uma vida mais simples
Será que viver com menos coisas e escolhas nos faz mais felizes? Talvez a disciplina seja uma excelente forma de aumentar a nossa liberdade.
Se a nossa atenção se concentrar e não se deixar dispersar pelos muitíssimos apelos do mundo à nossa volta, então é possível que aprofundemos a nossa vida de um modo que aumente a nossa paz. Uma vida com menos escolhas, com menos consumo, será uma vida com menos necessidades e preocupações.
Todos os dias somos levados a querer, a criar necessidades que não existiam e, com isso, a sentir uma insatisfação crescente.
Vivemos a alta velocidade, quase sempre a sonhar com a tranquilidade de um ritmo lento, conscientes de que uma desaceleração nos permitiria diminuir a ansiedade e aumentar o sabor dos dias.
Talvez bastassem algumas regras, horários e rotinas que nos servissem de suporte e nos afastassem da prisão das constantes tentações que nos seduzem a entrar numa lógica de mil e uma escolhas sem importância. No final, depois de muito nos inquietarem, não trazem nada de interessante à nossa vida.
A quantidade não é, em si, um bem; pelo contrário, a simplicidade é, em muitas dimensões da nossa vida, a forma mais elevada. Se aprendêssemos a viver bem com o que somos e com o que temos, sem perdermos um minuto a pensar no que nos dizem que nos falta, viveríamos melhor.
Muitos dos problemas dos nossos dias não vêm da falta, mas do excesso.
Seria bom que fôssemos capazes de simplificar o nosso dia a dia, protegendo-nos dos atentados à nossa estabilidade que vêm sempre sob a aparência de promessas de felicidade.
Seria bom que abrandássemos o ritmo das nossas horas e que, em cada uma, encontrássemos beleza e bem, sem procurarmos passar por elas como se fossem iguais.
Seria excelente que não nos deixássemos distrair e encontrássemos, nos nossos silêncios, a paz divina que existe mesmo dentro de nós.