As minhas misérias

Crónicas 1 maio 2026  •  Tempo de Leitura: 1

Todos falhamos, todos sofremos, mas nem todos lidam bem com as suas misérias.

 

Quantas das minhas misérias são causadas por mim? Podem vir de fora, mas também, por razões que desconheço, nascer e ser alimentadas dentro de mim.

 

Sempre que erro, devo assumi-lo. Não é bom partir do princípio de que a falha é algo raro e fora do comum; pelo contrário, trata-se de algo que nos acontece muitas vezes e que devemos reconhecer e tentar corrigir. Não o fazer — e tentar justificar as falhas — é errar ainda mais.

 

No entanto, parece que cometemos sempre os mesmos erros, como se fosse impossível mudar em nós aquilo que os provoca e permite. As nossas falhas fazem parte da condição humana, e é nelas que muitas vezes se encontra uma beleza rara, se soubermos olhá-las com verdade e bondade.

 

Muito do que chamamos misérias é, afinal, o preço de tentar, de aprender, de arriscar. Nestes casos, os erros são marcas de estarmos no caminho certo.

 

Há quem nos ame assim mesmo, como somos, com erros e tudo. Também nós amamos outras pessoas tal como elas são, sem que as suas misérias nos importem. É, pois, justo que nos consideremos da mesma forma, aceitando em nós o que, de facto, não nos define. As pessoas erram, nada nisso é extraordinário.

 

Todos erramos, todos podemos amar e, por isso, perdoar — as nossas misérias e as dos outros.

Artigos de opinião publicados no site da Agência Ecclesia e Rádio Renascença.

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