Não! Não!

Crónicas 9 março 2026  •  Tempo de Leitura: 2

Numa época em que a guerra é invocada como um destino inevitável, a única resposta possível às tensões geopolíticas, é redescobrir o significado profundo da palavra "paz"

 

«O Papa Leão XIII, na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, lança um desafio radical: a paz deve ser "desarmada e desarmante". Não basta depor as armas materiais. Primeiro, devemos desarmar-nos. A paz deve ser acolhida. "Bem-aventurados os pacificadores". O termo grego εἰρηνοποιοί (eirēnopoioi) é extraordinariamente eloquente, dado que o verbo ποιείν (poiein) também se refere à poesia. Os pacificadores são poetas sociais, artistas do tecido humano que remendam o que o ódio destrói, demonstrando que tudo está interligado.»

Chiara Giaccardi, prof. na Universidade Católica do Sacro Cuore.

 

Num mundo que celebra a guerra como realismo e ridiculariza a paz como fraqueza, talvez seja altura de reconhecer que os verdadeiros realistas são precisamente estes poetas desarmados.

 

Na escola, alguém me perguntou: "Tem medo da Terceira Guerra Mundial? Tem medo que a guerra se possa alastrar aos países europeus?" Respondi que não podemos ficar parados. Eu, não consigo ficar tranquilo.

 

O meu maior receio é que nos habituemos a ver imagens de escolas destruídas, de cadáveres de homens, mulheres, idosos e crianças, como se isso fosse normal. 

 

Temo que os nossos jovens, apesar de todas as reflexões e sugestões que lhes oferecemos em casa e na escola, acabem por se habituar a este estilo: afirmar as suas opiniões esmagando a dos outros pela força.

 

Temo que as nossas conversas se tornem vazias, “porque fica bem”, mas não vividas! Preocupa-me que os nossos jovens possam repetir de cor que a guerra não é justa, mas com a realidade que vivem diariamente, aprendam um estilo baseado no conflito.

 

Não! Não!

 

A paz é, antes de mais, um caminho, um laço, um trabalho em conjunto, um acordo que mantém unido aquilo que, de outro modo, se desintegra e se perde.

 

O paradoxo do nosso tempo, em que tudo se desfaz - comunidades, diálogos, significados -, reside na ilusão de que as armas podem remendar o que destruímos. Como se a violência pudesse criar pontes em vez de muros, laços em vez de nós.

 

Rezemos pela paz.

 

Imagem: Brothers In Arms Memorial Park near Polygon Wood in Zonnebeke 

Licenciado em Teologia. Professor de EMRC. Adora fazer Voluntariado.

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