A beleza de ser humano reside na capacidade de amar

Crónicas 1 junho 2026  •  Tempo de Leitura: 4

Muito se tem falado da primeira Encíclica de Leão XVI sobre a Inteligência Artificial (IA). Se este foi o primeiro a escrever um documento teológico, Francisco foi o primeiro a abordar este tema: Dia Mundial da Paz de 2024: “Inteligência Artificial e Paz; 58º Dia Mundial das Comunicações Sociais: “Inteligência Artificial e Sabedoria do Coração”; e o discurso no G7 Summit 2024, sobre os riscos e a ética da IA.

 

Quero recordar o mais importante deste discurso aos líderes das 7 maiores e mais ricas economias e democracias industrializadas do mundo. Porque, há continuidade aprofundada na Encíclica Magnifica Humanitas do discurso do Papa Francisco a 14 de junho de 2024 no G7.

 

No G7, o Papa Francisco afirmou: «E agora é legítimo imaginar que o uso da IA ​​influenciará cada vez mais o nosso modo de vida, os nossos relacionamentos sociais e, no futuro, até mesmo a forma como concebemos a nossa identidade como seres humanos».

 

Francisco insistiu que a IA é uma ferramenta poderosa, mas que decisões fundamentais devem permanecer sob responsabilidade humana. Ele distinguiu a capacidade humana de "decidir" da simples capacidade algorítmica de "escolher" entre opções.

 

O Papa argumentou explicitamente que algoritmos não são "objetivos nem neutros", porque carregam os pressupostos e os valores dos seus criadores. Pediu que armas autónomas letais fossem proibidas e declarou que nenhuma máquina deveria decidir sobre a vida e a morte de seres humanos. 

 

Francisco falou ainda da necessidade de uma "algorética" global e de cooperação política internacional para regular a tecnologia. 

 

Se faz parte do nosso dia a dia falar sobre a IA: em conversas entre amigos ou colegas de trabalho, na televisão, nos jornais… - Esse mundo totalmente novo que nos preocupa, mas ao mesmo tempo intriga-nos e fascina-nos. São novas oportunidades de vida que se abrem diante de nós, com as quais já começamos a familiarizar-nos. -  Também testemunhamos, com certo espanto, as mudanças no nosso estilo de vida, na forma como trabalhamos, pesquisamos ou nos relacionamos uns com os outros.

 

O perigo, de facto, da IA degenerar e se tornar inimiga da humanidade é mais do que real. Não nos esqueçamos de que a IA é uma ferramenta ambivalente e que seu uso contribuirá para a criação de um novo sistema social caracterizado por transformações complexas e de grande impacto.

 

Por exemplo, a inteligência artificial poderia viabilizar o acesso universal ao conhecimento, ao progresso na pesquisa científica e a possibilidade de deixar às máquinas os trabalhos mais difíceis; mas, ao mesmo tempo, poderá trazer consigo maior injustiça entre as nações mais avançadas e as que se encontram em desenvolvimento, entre as classes sociais dominantes e as mais frágeis, pondo em risco a possibilidade de uma cultura do encontro em favor de uma cultura do desperdício e do descarte.

 

Perante tudo isto surgem as questões: “Ainda seremos humanos?", “Até onde podemos avançar em pesquisa e experimentação?”, “Onde reside a linha divisória além da qual não podemos ir, sem correr o risco de desumanização?”... Essa é a essência da ética que deve guiar e reger toda a inovação.

 

O que significa, então, ser humano? Qual é a beleza de ser humano senão a capacidade de amar, de se comover, de apreciar a beleza; de nos questionarmos e decidirmos, de acolher a vida como ela se apresenta, dando tudo de nós para que o mundo se torne melhor; de sermos apaixonados pela vida com todas as suas contradições; de ​​fazermos a nossa parte, dia após dia, e fazê-lo da melhor maneira possível, cometendo erros, caindo e levantando-nos para recomeçar a construir; de nos cansarmos e, a cada vez, recomeçarmos com espírito de esperança? 

Licenciado em Teologia. Professor de EMRC. Adora fazer Voluntariado.

Subscrever Newsletter

Receba os artigos no seu e-mail