«Podes ficar em minha casa!»

Crónicas 7 julho 2026  •  Tempo de Leitura: 3

A humanidade é magnífica sempre e na sua totalidade. Não apenas a humanidade que constrói a inteligência artificial, mas também a humanidade que foge à pobreza! Não só a humanidade que se preocupa em comer menos para não engordar, mas também a humanidade que se preocupa em comer para não morrer!

 

A viagem do Papa à ilha de Lampedusa marcou pontos! Com recados diretos à dita Sociedade Ocidental, nomeadamente a Política, o Santo Padre fez uma síntese do essencial do cristianismo.

 

A humanidade é magnífica sempre e em qualquer caso: do norte ou do sul, branca ou negra, cristã ou muçulmana, de outra religião ou nenhuma. A humanidade é magnífica mesmo quando miserável, suja, ferida. Mesmo quando, na verdade, não é de todo magnífica, porque é repugnante, agressiva.

 

Todos nós vemos diariamente que a humanidade está muitas vezes longe de ser magnífica, porque egoísta, gananciosa, vaidosa, e até monstruosa. Mas não é só isso que trazemos dentro de nós. No nosso interior também tem vida uma dimensão diferente chamada altruísmo, compaixão, empatia, solidariedade, generosidade...

 

E quando esta dimensão positiva emerge e se afirma, acontece aquilo a que o Papa Leão XIV chamou ontem «o milagre da compaixão». E a partir daí, «pode-se gerar uma revolução interior que traz à tona, dentro de nós, o sentimento de Deus e amplia os nossos pensamentos, os nossos corações e as nossas vidas».

 

«Não há amor a Deus sem amor ao próximo, e não há próximo se eu não me  aproximar. Parar, comover-se, inclinar-se, chorar perante a dor alheia – como fez Jesus – significa entrar no movimento do amor, aquele em que Deus se revelou.»

 

O humanismo e o cristianismo abraçam-se e fundem-se na defesa da condição humana, que precede todas as outras identidades: a pátria, a tradição, a conveniência económica...

 

As palavras do Santo Padre não podiam ser mais explícitas: «Antes de qualquer consideração intelectual ou convicção ideológica, o impacto das tragédias que enfrentamos despoja-nos de tudo, convocando-nos para a proximidade.»

 

E nós cristãos, o que queremos ser? Que valores devemos seguir? Que ideais? Sermos sensíveis à necessidade de ajudar significa continuar a viver de acordo com os valores universais e tão europeus que destacam o acolhimento e a hospitalidade entre os critérios essenciais da verdadeira humanidade.

Licenciado em Teologia. Professor de EMRC. Adora fazer Voluntariado.

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