«É necessário que ele cresça e que eu diminua»

Crónicas 25 maio 2026  •  Tempo de Leitura: 4

Nesta breve reflexão, quero partilhar convosco o que penso sobre as notícias que circulam pelas redes sociais, sobre a quantidade de jovens adultos que têm abraçado a fé católica nos últimos tempos. Tem sido tema de muitas conversas com os meus jovens e alunos mais velhos, principalmente sobre as consequências que isso pode ter na sociedade.

 

A opinião pública questiona o que este fenómeno significa para o papel da Igreja na sociedade. Para muitos, a sociedade é que está em foco e não a Igreja. Porque se muita gente adere à Igreja, quais serão as consequências para a sociedade? Que ganhos ou que perdas tem a sociedade? Pensemos na França, por exemplo, um país que tem vindo a retirar do espaço público tudo aquilo que é alusivo à religião.

 

Muitas vezes, isto é feito de forma distorcida, já que se ignora a desproporção entre o número limitado de novas entradas na Igreja e o número significativo de abandonos da fé por parte de muitos batizados, bem como o próprio declínio progressivo dos batismos infantis.

 

No entanto, a missão da Igreja não é, ou, sendo mais realista, não deve ser, concebida como um esforço de proselitismo. Ela não se deve preocupar em aumentar o número de fiéis e o seu poder. Não deve cultivar a sua própria glória. Quando o faz, trai São João Batista, que disse: «É necessário que ele cresça e que eu diminua», e também São Paulo: «Não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor».

 

É legítimo que um partido político se dedique ao proselitismo, pois a sua vocação é a de procurar o maior consenso possível entre os cidadãos, para que possa conquistar e exercer o poder, dentro da estrutura estabelecida pela Constituição, e construir uma sociedade de acordo com os seus ideais.

 

A Igreja não é um partido político. A Igreja pretende também trabalhar para garantir que os seus ideais se afirmem na sociedade. Mas, paradoxalmente, o seu ideal não é afirmar-se, adquirir poder e, assim, influenciar o desenvolvimento da sociedade, mas sim afirmar Cristo no mundo. 

 

O próprio Jesus, quando questionado por Pilatos, esclareceu as suas aspirações: «O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus servos lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus; mas o meu reino não é daqui».

 

É, no entanto, necessário para a Igreja, precisamente porque a sua missão é fazer de Cristo o ideal da humanidade, deslocar-se para as margens da cena, para deixar Jesus no centro.

 

Não é o seu sucesso, a que deve aspirar. Não é o tornar-se maior e mais importante no mundo, mas sim tornar a pessoa e a mensagem de Jesus cada vez mais influente no mundo.

 

Usufruir da graça da fé torna cada crente responsável, pela riqueza que recebe, por aqueles que não gozam na vida da consolação e da alegria que provêm da esperança de um futuro para o qual só a fé abre o coração e a alma.

Licenciado em Teologia. Professor de EMRC. Adora fazer Voluntariado.

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