Converter-se não significa privar-se, mas libertar-se!

Crónicas 24 fevereiro 2026  •  Tempo de Leitura: 2

O tempo voa, e muitas vezes sentimo-nos sem fôlego quando chegamos aos nossos compromissos agendados. Este ano não é exceção, e foi assim que entramos na Quaresma.

 

A Quaresma é um tempo poderoso de conversão do coração, da mente e de toda a pessoa, de desprendimento das nossas paixões. Um tempo para viver com calma, mais consciente e mais altruísta.

 

Por isso o Jejum. O jejum, obrigatório na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, não é uma prática ascética com o objetivo de obter qualquer coisa ou favor de Deus. Pelo contrário, os cristãos jejuam porque Deus já nos deu tudo.

 

Retirar a comida da mesa serve, sobretudo, para nos examinarmos e percebermos que somos habitados por outras fomes e necessidades que muitas vezes sufocamos com o consumo material e com a nossa pressa habitual.

 

E nada tem a ver com a obtenção de um corpo escultural. O jejum quaresmal visa o fortalecimento do espírito, enquanto a dieta visa o emagrecimento do corpo. Existem duas perspetivas, uma interna e outra externa. Uma diz respeito à nossa relação com Deus, a outra à imagem que desejamos deixar nos outros.

 

A Quaresma não exige necessariamente um aumento da quantidade de orações, mas sim uma melhoria da sua qualidade.

 

A oração deve ser um trabalho interior sério que dá mais vida à existência, e não uma fuga à realidade. Este dinamismo interior encontra a sua realização natural na caridade concreta.

 

«Se o jejum nos liberta dos nossos apetites e a oração nos expõe à voz de Deus, o resultado é um coração mais generoso, impelido a partilhar quem somos e o que temos com os outros.» (Frei Roberto Pasolini, pregador da Casa Pontifícia.)

 

Jejuar é afirmar que podemos viver do essencial, que o homem não vive apenas de pão e de bens materiais, por mais necessários que sejam, mas tem a liberdade de não equiparar a felicidade à posse de tudo.

 

Renunciar a alimentos desnecessários e à acumulação de bens não é um fim em si mesmo, nem é prova de domínio pessoal, como poderia ser para um atleta. É, antes, um caminho para regressar ao Senhor, para viver em amor por Ele e pelos irmãos.

 

«Converter-se durante a Quaresma não significa privar-se, mas libertar-se». (Cardeal Matteo Maria Zuppi)

Licenciado em Teologia. Professor de EMRC. Adora fazer Voluntariado.

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