Recomendamos: «Com o coração nas mãos»

Livros 17 junho 2019  •  Tempo de Leitura: 7

Texto de apresentação da obra «Com o coração nas mãos», de Marta Arrais e Emanuel António Dias, na feira do Livro de Lisboa, no dia 15 de junho de 2019. Todos os textos que se encontram entre aspas são retirados das crónicas que os autores selecionaram para esta obra. 

 

Com o coração nas mãos. É literal: estou com o coração nas mãos. Só a Marta e o Emanuel para me desafiarem a fazer uma apresentação de um livro. Obrigado amigos pelo desafio. Obrigado por se terem deixado desafiar a pensar a fé no ambiente digital. No digital como no real.

 

O portal iMissio é um projeto de evangelização iniciado em 2012, que tem tido como objetivo dar voz a uma comunidade convicta de que a internet pode ser um ambiente de evangelização que desafie o modo de pensar a fé. Tem pretendido ser espaço de relação entre a fé, a vida da Igreja e as transformações vividas atualmente pelo Homem.

 

Pretende ser espaço de relação entre a fé, a vida da Igreja e as transformações que o Homem está a viver. A rede é um ambiente no qual vivemos, com um modo de pensar, conhecer, comunicar e viver próprios. [Ciberteologia, Antonio Spadaro]. A força do projecto está na qualidade e diversidade de cronistas.

 

Marta Arrais! Publicamos a primeira crónica, “Num avesso do mundo” a 3 de dezembro de 2014, com uma fotografia original, lia-se no mail. “Nenhum de nós sabe realmente que tem tudo até ser confrontado com o Nada. Todos tratamos por tu a pobreza, a miséria, a tristeza e até a morte. Achamo-nos conhecedores de tudo o que se passa mundo fora, só porque este nos entra casa adentro todos os dias, enquanto pousamos os talheres do jantar. Mas não. Não conhecemos nada até aterrarmos num lugar onde o Nada é tudo. Quando se chega ao avesso do mundo, o coração abre a boca de espanto e esconde-se como uma criança. Não se prepara coração nenhum para receber o Nada. O corpo, esse, empequenece. Reduz-se. Retira-se. Há avessos que não são para o corpo. Quase nem são para a alma. […]” Desde este dia semanalmente “surpreende com o que tínhamos visto e nos deslumbra com o que fez sempre parte de si […]” Semanalmente como que “aprende palavras novas. Aprende as pessoas.”

 

Com a Marta vamos. Com a Marta voamos. Com a Marta “inunda-nos uma vontade de começar tudo outra vez […] provar a vida pela primeira vez e ter consciência disso”. A Marta desassossega-me! Semanalmente ler a Marta é um momento inquietante, para mim e para as centenas de pessoas que semanalmente usam a escrita, as palavras, os textos da Marta para “sossegar. Deixar acontecer. Deixar que se faça dia outra vez. Deixar ir. Deixar abraçar”, abraçar e abraçar-se. “Deixar o tempo passar e ficar. Deixar voar. Deixar fugir. Deixar cair.” Em uma só palavra VIVE.

 

A Marta foi-me apresentada pelo Paulo Victória. Bendita a hora que o Paulo sugeriu e a Marta aceitou o desafio de nos brindar semanalmente com as suas crónicas. Nas crónicas da Marta “não tenhas pressa. […] Demora-te muito onde fores feliz. Quando deixas de sorrir para passares a ser sorriso, estás no lugar certo”, estás a ler a crónicas da Marta. “Demora-te [sempre que ] encontrares um abraço bom. Daqueles que te desarrumam por dentro e por fora”.

 

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Emanuel António Dias. Primeiro deu-se a conhecer. Usando as ferramentas digitais perguntou como poderia colaborar connosco, o que tinha que fazer, como o poderia fazer. No dia 10 de junho de 2016 publicámos a primeira crónica “Olhai as aves do céu…” Foi uma crónica premeditada. Vejamos o que escreveu: “O verão ainda não chegou, mas já começa a dar os seus sinais. Os dias são mais longos e o sol brilha com outro encanto. Os nossos olhos são atraídos pelas cores das flores. Os pássaros enchem o céu com o seu chilrear como se cantassem hinos de louvor. […] Agora que os dias são mais longos há mais tempo para se contemplar toda a beleza que molda as nossas vidas. Agora que os dias são cheios de luz há mais oportunidades de nos deixarmos contagiar por este amor.  É tempo de sair. É tempo de conviver. É tempo de se estar em comunhão”.

 

Quando nos faltam palavras no dia a dia, sempre que queremos ressignificar o que vivenciamos, experienciamos, diz o Emanuel que “a falta de palavras é a grande oportunidade que tens de dizer ao outro que não está só neste mundo…” “Ao rezarmos, uns pelos outros, estamos a suportar o coração angustiado e ferido de cada um de nós. Ao rezarmos, uns pelos outros, estamos, uma vez mais, a demonstrar que este Deus revelar-se-á, sempre, naquele que se cruza connosco”. É fácil rezar, estar, sentir Deus na escrita do Emanuel. Muitas das suas crónicas são como que salmos no e para cada dia. Porque “se queres ter vida, não te refugies. Se queres ter vida, entrega-te. Se queres ter vida, perde-te no outro. Se queres ter vida… se quiseres ter a vida, sabe, que chorarás como uma criança, mas que no final serás acolhido por alguém que já a conquistou!”

 

Com o coração nas mãos. Um livro inspirado e inspirador. Inspirado por Deus e pelas vivências de cada autor. Escrito a 4 mãos, inspirador de viagens, aventuras, desassossegos interiores. Não duvidem: uma leitura por semana destas crónica é bálsamo para os corações inquietos. Não duvidem.  Com o coração nas mãos. Onde a vida se torna oração, onde a oração se faz vida.

 

Por fim, obrigado à Paulus Editora pelo carinho, atenção e pareceria que tem com a comunidade iMissio. Que este livro chegue também a todos aqueles que ainda não conhecem a Marta Arrais e o Emanuel António Dias.

 

A todos os que hoje se associam a nós neste momento de apresentação, de forma muito especial todos os que estão nesta praça Amarela: OBRIGADO.

 

Vídeo da Apresentação:

Bento Oliveira

Coordenador iMissio.

Pai. Licenciado em Ciências Religiosas. Professor de EMRC. Gosta de pensar e evangelizar nas redes! O trabalho em equipa é o presente da pastoral.

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