Com, em, por e para Maria!

Crónicas 26 outubro 2026  •  Tempo de Leitura: 4

Este fim de semana estive nas Jornadas Marianas com Montfort: tanta, mas tanta gente, vi em Fátima... Domingo, fiz o caminho da Cova da Iria para Porto de Mós. Tantos, mas tantos jovens no caminho da Virgem.

 

Questionei-me novamente sobre a devoção a Maria. Num mundo cada vez mais científico e racional, esta religiosidade não estaria a desaparecer? A devoção mariana não estaria a sobrepor-se à centralidade da fé em Jesus Cristo?

 

Recordei as palavras do Papa Francisco:

 

«Rezar a Maria não é uma mera formalidade espiritual, mas uma exigência da vida cristã. Olhando para a Mãe, somos encorajados a deixar para trás tanta bagagem inútil e a redescobrir o que realmente importa. O dom da Mãe, o dom de cada mãe e de cada mulher, é tão precioso para a Igreja, que é mãe e mulher. Enquanto o homem muitas vezes abstrai, afirma e impõe ideias, a mulher, a mãe, sabe proteger, ligar no coração e dar vida. Para que a fé não se reduza meramente a uma ideia ou doutrina, todos precisamos de um coração materno, um coração que saiba preservar a ternura de Deus e escutar o pulsar da humanidade». “Maria Mamma di tutti”, Edizioni San Paolo, 2018

 

Se Maria é tudo isto, então pode ser um ponto de referência significativo mesmo neste momento difícil, em que o sofrimento, a incerteza e até o medo nos podem levar à tristeza e ao desânimo.

 

Pode parecer um pouco antiquado, mas a fé é, antes de mais, uma entrega confiante nas mãos de Alguém que é considerado fiel, porque toda a Sua vida atesta uma coerência e um amor transbordante pela humanidade. A fé é simples, não simplista. É a fé dos pobres de espírito, como Maria, a pobre mulher por excelência que soube abrir espaço a Deus desde o mistério da Encarnação até ao fim da sua vida.

 

A imitação das virtudes de Maria é um dos frutos mais práticos e profundos da espiritualidade de São Luís Maria Grignion de Montfort. No seu Tratado da Verdadeira Devoção, ele explica que o devoto não deve apenas rezar a Maria, mas transformá-la no modelo vivo de todas as suas escolhas e ações.

 

Para Montfort, imitar Maria não é um esforço puramente humano, mas sim o resultado de nos esvaziarmos do nosso próprio orgulho para que o espírito de Maria viva e aja em nós.

A originalidade de Montfort não está apenas em listar estas virtudes, mas na forma como ele ensina a praticá-las. Ele resume este método em quatro atitudes interiores: agir com Maria, em Maria, por Maria e para Maria.

 

Significa olhar para Maria como o molde e o espelho perfeito de conduta. Diante de qualquer decisão, tentação ou dever diário, o devoto deve perguntar-se: "Como reagiria Maria nesta situação?" ou "Como faria Maria isto?".



Desta forma, o cristão começa a abandonar gradualmente os seus hábitos egoístas e o foco no seu umbigo, para usar a terminologia do padre Eduardo Duque, para adotar as reações, os pensamentos e as virtudes da Mãe de Jesus.

 

Montfort recorda que o objetivo final de imitar Maria é tornar-se uma cópia fiel de Jesus Cristo. Como Maria é o reflexo mais perfeito de Jesus, quanto mais uma alma se assemelha a Maria através da imitação das suas virtudes, mais rápida e perfeitamente se assemelhará a Jesus.

 

Neste final de mês de outubro, façamos desta a nossa missão.

Licenciado em Teologia. Professor de EMRC. Adora fazer Voluntariado.

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