Amo-te, mas preciso de ti

Crónicas 2 abril 2026  •  Tempo de Leitura: 2

Sem que me aceites, não consigo amar-te. Por mais que tente, só se abrires o teu coração poderei viver nele. Preciso que sintas necessidade do meu amor.

 

Por mais gratuito que seja – e é – o quanto te quero dar de mim, não é por necessidade que o deves aceitar, antes, sim, por escolha.

 

Quando se ama alguém, essa pessoa torna-se essencial ao nosso equilíbrio. Aquilo que sou, quando amo, passa a depender daquele que amo.

 

Como o amor não é uma prisão, a liberdade com que amo deve respeitar a de quem é amado e ser correspondida por ela. Ninguém pode amar quem não aceita esse amor, a não ser numa espera firme, longa e paciente, assente na esperança de que essa recusa se dissipe.

 

Ninguém se basta a si mesmo; por isso amo e preciso de ser amado e de o sentir.

 

Amar-te implica aceitar que passo a depender de ti para ser eu.

 

Ainda que aceites o meu amor, preciso de aceitar também eu que nada é garantido e… que posso perder tudo, a qualquer momento e até sem sentido. O mais belo disto é que cada dia e cada momento em que conto contigo dão ainda mais valor ao amor com que me entrego, porque é de forma livre que o aceitas.

 

Quando amo, arrisco o que sou, porque posso perder-me por completo, mas também só dessa forma posso ganhar-me, realizar-me… e ser eu.

 

O valor do amor está no presente, não em garantias futuras. A verdade é que, se me dedico ao que já passou ou ao que pode estar para vir, não estarei aqui nem agora. E, sem isso, não é possível amar ninguém!

 

Amar-te é uma escolha minha, aqui e agora, que precisa que tu, também aqui e agora, escolhas aceitá-lo.

 

Amanhã? Se for mesmo amor, escolherei amar-te e precisarei, também amanhã, de que escolhas aceitar-me.

Artigos de opinião publicados no site da Agência Ecclesia e Rádio Renascença.

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