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a sua tag: "Marta Arrais"
É possível que a maior força que temos ao nosso dispor sejam as palavras. Claro que as palavras escritas têm impacto mas, e porque são pensadas e meditadas, não ultrapassam o eco das palavras ditas.
No reino das perguntas difíceis, é possível que esta esteja em primeiro ou segundo lugar. Perante a velocidade das coisas que nos acontecem, o que conseguimos guardar? Perante o excesso de funcionalidades que nos são exigidas, o que conseguimos, de facto, fazer?
Ainda falta tanto para nos respeitarmos de verdade. Ainda falta tanto para nos orgulharmos de ser pessoas.
Não vale a pena estar com grandes rodeios. Ninguém prefere esperar se houver hipótese de não ter que o fazer. Preferimos que a fila do supermercado ande depressa. Preferimos que não esteja ninguém à nossa frente no self-service da lavandaria.
Existe uma espécie de Terra do Nunca que guarda todas as nossas memórias. Nesse lugar há fotografias vivas a voar. Às vezes temos vontade de visitar a nossa Terra do Nunca e agarrar as memórias que por ali andam a pairar.
O verdadeiro desafio que se impõe nos dias que correm é, precisamente, o de remar contra a maré. O de ser diferente e não ter medo disso. O de ousar levantar-se quando todos os outros teimam em permanecer sentados.
Há qualquer coisa dentro de nós que se assemelha a um porto. Um desses cais que abrem braços para acolher os barcos que os outros são. Há, em nós, um desejo que rima com maré cheia e que nos faz querer guardar e amar todos os que decidam aproximar-se das nossas águas.
Temos pouco tempo para agradecer o que (nos) corre bem. O tempo parece não chegar para reparar no lado bom do que nos acontece. Parece-me que temos sempre a cassete a tocar para o mesmo lado. O lado que reclama e nada faz.
Não estamos cá para viver de forma média ou razoavelzinha. Não estamos cá para fazer só por fazer ou para viver só por viver. Não estamos cá para ser arrastados pela maré ou para fazer as vontades do mundo. Também não estamos cá para viver à sombra do tanto-faz.
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