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a sua tag: "Marta Arrais"
Estamos entre espadas e paredes. Entre trilhos certos e tranquilos (de onde não se pode ver o Céu) e veredas com escolhos que, no final, nos brindarão com uma paisagem capaz de fazer esquecer qualquer caminho mais difícil.
Todos os momentos que nos retiram das nossas rotinas parecem atropelar-nos. É como se uma pequenina tempestade nos mudasse os pontos cardeais e nos levasse para um caminho de novidade que nem sempre sabemos como receber ou guardar.
Tenho a certeza de que o dia de Natal não é igual para todos. Em cada casa e em cada família há tradições mais ou menos enraizadas. Mas ainda que vivamos este dia de forma distinta e separada daqueles com quem partilhamos grande parte dos nossos dias, sentimo-nos juntos.
Podia muito bem ser o nosso lema. O lema que nos define como gente que tem uma predileção especial por andar às voltas e nunca sair do mesmo sítio. Somos muito bons a deixar para depois. A adiar para quando a vida quiser.
Enxuga as lágrimas. Guarda as tristezas para outro dia ou para outra hora. Não reacendas fogueiras que o tempo já apagou e não adormeças à sombra da mesmice.
É quase inevitável dedicar algum tempo a contemplar a época que se aproxima. Mesmo que não quiséssemos, acabam por não nos sobrar grandes alternativas.
O peso das aparências é assustador. Dizemos que não. Que não pertencemos ao grupo dos que valorizam o exterior. Que não julgamos contornos. Julgamo-nos pessoas de interiores. Queremos acreditar que as luzes que nos iluminam são, sempre, as luzes certas. Infelizmente, nem sempre são.
Guardamos as nossas culpas como farpas sempre prontas a atirar a alguém. Muitas vezes, sabemos que a culpa é nossa mas, no fundo, é mais fácil devolvê-la. Não a querer. Por isso acabamos por decidir transferi-la para os que estão à nossa volta.
Nem sempre conseguimos olhar para cada coisa com a clareza necessária. Falta-nos, muitas vezes, a capacidade para ver bem, para afastar o que nos turva a água de dentro. Outras vezes, falta-nos a coragem para querer ver.
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