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a sua tag: "Marta Arrais"
É difícil escrever sobre Nossa Senhora. Sobre o que me faz acreditar nela sem ter razões específicas ou claras para o fazer. Não sei como se explica ou como se diz aquilo que trazemos aceso dentro do coração. Sei que acredito numa Senhora que se quer, ainda hoje, vestir de Sol e de Paz para lembrar
Há sempre qualquer coisa a impedir que os dias corram ao sabor do vento. Há sempre a miragem de uma preocupação, uma nuvem que não se dissipa, um ruído a martelar dentro do coração ou uma pedra pequenina dentro do sapato.
Não é o que nos falta. É o que temos. Não são os que nos falharam. São os que sempre estiveram. Não é o que nos falta andar. É o caminho que já fizemos.
Somos muito bons com teorias. Com lemas e com slogans. Com cartazes de letras gordas e pintadas com cores que até se podiam fazer grito.
Não me interessa o que se passa na tua vida. Não me diz respeito o teu caminho. A tua guerra. Não me dizem respeito as tuas lutas, as tuas mágoas, as tuas dificuldades ou as tuas travessas. Não me interessam as pontes que atravessas, os rios que nadas, os mares ondes mergulhas, os trilhos que percor
Somos doutorados em dizer adeus. Mas quando chega a hora de o fazer falham-nos as forças, as pernas, os braços, o ânimo. Convencemo-nos sobre o domínio da ciência da despedida mas na hora do tem que sernão temos, sequer, a quarta classe. Talvez faça sentido recomeçar este texto.
Falta-nos empatia. Falta-nos abandonar os nossos pedestais de estimação. Falta-nos sair dos lugares onde cultivámos raízes. Falta-nos saber que existem outras pessoas para além da que vemos do outro lado do espelho todos os dias. Estamos desfocados dos outros e demasiado focados em nós e no que prec
Queimaram-nos as pontes floridas que trazíamos dentro do peito. Deixaram-nos sem panos brancos para hastear as velas do nosso barco e sem remos para lhe traçar um rumo que nos faça ganhar a viagem. Substituíram os rios que nos corriam cá dentro por terras que nunca sonharam, sequer, com água.
Eu sei. Sei que o assunto não é novo e que talvez já canse ler sobre a mesma coisa. Ou não. Não me parece que estejamos cansados o suficiente de ler e ver o mesmo. De ouvir o mesmo. De bombardear com o mesmo. De dizer o mesmo. De atacar com o mesmo. De repetir o mesmo.
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