Sabedoria Popular: «DIZ-SE QUE A ALIMENTAÇÃO…»

Conto 19 fevereiro 2026  •  Tempo de Leitura: 2

Os alimentos que consumimos dizem muito sobre quem somos. A verdade é que bem comer é bem viver, bom sono e boa comida acrescentam a vida, quem não é para comer também não é para trabalhar e quem não trabuca não manduca.

 

Diz-se por aí que ventre em jejum não ouve nenhum, barriga vazia não tem alegria, a fome é negra, não tem lei e é má conselheira, a fome espreita à porta de quem trabalha mas não entra, na casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão e quando não há pão até migalhas vão.

 

No entanto, a sabedoria popular também diz que o comer e o coçar vão do começar, a gulodice tem matado mais gente do que a espada, de fartas ceias estão as sepulturas cheias, quem come até se fartar cedo vem a jejuar, se não queremos engordar devemos comer e beber devagar, quem não come por já ter comido não tem doença de perigo, pela boca morre o peixe, nem sempre galinha nem sempre sardinha, o que não mata engorda e muito come o tolo mas mais tolo é quem lho dá.

 

De qualquer forma, não esqueçamos que cautelas e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, quem semeia bom grão terá bom pão, migalhas também são pão, sem ovos não se fazem omeletes, grão a grão enche a galinha o papo, quem quer sardinha assada chega-lhe a brasa, do prato à boca se perde a sopa e quem dá o pão dá educação.

 

É importante ter consciência de que, por vezes, temos mais olhos que barriga, junta-se a fome com a vontade de comer, não há fome sem fartura, são mais as vozes que a nozes e com papas e bolos se enganam os tolos

 

Lembremo-nos, por fim, que dá Deus nozes a quem não tem dentes, Deus dá-nos as nozes mas não as quebra, devemos comer para viver e não viver para comer e é grande saber, calar e comer.

Paulo Costa

Conto

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