Ser líder. Ser líder cristão. Ser líder cristão na empresa e não só

Crónicas 5 outubro 2026  •  Tempo de Leitura: 4

O tema da liderança tem sido amplamente difundido na nossa sociedade, sobretudo em contextos empresariais e organizacionais.

 

Há muitas correntes de pensamento que se têm dedicado a aprofundar esta questão de forma mais ou menos sistematizada, sobretudo desde a segunda metade do século passado.

 

Recordo-me de estudar a perspetiva da liderança situacional, muito em voga nas décadas de 1970 a 1990, que pedia um tipo de orientação diferenciada tendo em conta a motivação e a técnica de cada liderado. Depois, no virar do milénio, fazia escola a perspetiva da liderança transformacional, em que o líder se tinha de assumir com todo o seu carisma, quase como o herói/salvador da sua equipa ou organização. Mais recentemente tem vindo a ganhar preponderância a ideia da liderança adaptativa como resposta a um mundo cuja complexidade parece cada vez mais difícil de acompanhar e em que a ideia de um líder omnipotente capaz de dar resposta a todos os desafios fica já aquém da realidade. Paralelamente a todas estas ideias bastante sistematizadas academicamente, vemos surgir grupos de reflexão acerca de liderança virtuosa, liderança servidora, liderança peregrina, e tantas outras.

 

Há muito que me interesso pelo tema e que reflito acerca do que é ser líder afinal.

 

Em quase todos os contextos encontro uma tendência generalizada para associar liderança a chefia. Há quem diga que gosta de aprender acerca de como ser um bom líder apesar de estar, de momento, sem qualquer pessoa ou equipa para chefiar. 

 

Mas se não é preciso ser chefe para ser líder, coloca-se a questão: Todos podemos/devemos ser líderes?

 

A definição de liderança que mais me tens inspirado e ajudado ao longo da vida é curta e fácil de decorar: “O líder é o oposto da vítima”. Ouvi-a de alguém que já nem sei nomear, mas que me marcou profundamente.

 

Todos, querendo, podemos ser líderes. Somo-lo sempre e quando não nos conformamos ao papel de vítima. Implica olhar para cada situação da vida e pensar ‘O que posso fazer em relação a este assunto?’. Não só vai além da resignação como desaloja a vitimização que tantas vezes nos paralisa. 

 

Podemos optar por ser vítimas, em vez de ser líderes. Por vezes tentamos ser líderes e não somos capazes. As técnicas de lideranças podem ser mais ou menos inatas, mas também se podem aprender, treinar e aperfeiçoar a cada dia. Vale a aposta sobretudo quando concluímos que ser líder nos traz uma vida mais plena e feliz. Quando queremos ser construtores de um mundo melhor.

 

Há muitas pessoas que se esforçam por ser líderes neste mundo. Nem todas são conduzidas pelos mesmos valores. O líder cristão é chamado a colocar o Amor de Cristo, a Verdade e o Serviço ao próximo como guias da sua tomada de decisão.

 

Não se é líder apenas na empresa, quando se ascende a um lugar de chefia. É-se líder na vida, dentro e fora do local de trabalho. Por vezes nem sequer implica tomar decisões que devem ser seguidas por outras pessoas, mas “apenas” escolher o Bem Maior.

 

Tudo começa por nos liderarmos a nós mesmos. Para um cristão, essa liderança está facilitada porque Jesus nos indica sempre o caminho a seguir. Sendo fiéis à sua Palavra e aos seus ensinamentos, poderemos ser os líderes que fazem deste mundo um local melhor: bons trabalhadores, bons cidadãos, bons pais, bons filhos, bons amigos.

 

À questão ‘Todos podemos/devemos ser líderes?’ eu diria claramente que sim, mas sem nunca esquecer que só os bons valores constroem líderes cristãos capazes de um mundo melhor!

Sónia Neves Oliveira

Sónia Oliveira

Licenciada em Organização e Gestão de Empresas, ISCTE. Mãe de família numerosa. Responsável de Planificação, Análise e Transformação Aeroportos Ibéria at Areas.  Mestrado em Desenvolviemnto e Liderança, Católica-Lisbon SBE.

Lema de vida: "Não fazer tudo o quero, mas querer tudo o que faço" e "Contribuir para a construção de um mundo melhor".

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