Ser líder. Ser líder cristão. Ser líder cristão na empresa e não só
O tema da liderança tem sido amplamente difundido na nossa sociedade, sobretudo em contextos empresariais e organizacionais.
Há muitas correntes de pensamento que se têm dedicado a aprofundar esta questão de forma mais ou menos sistematizada, sobretudo desde a segunda metade do século passado.
Recordo-me de estudar a perspetiva da liderança situacional, muito em voga nas décadas de 1970 a 1990, que pedia um tipo de orientação diferenciada tendo em conta a motivação e a técnica de cada liderado. Depois, no virar do milénio, fazia escola a perspetiva da liderança transformacional, em que o líder se tinha de assumir com todo o seu carisma, quase como o herói/salvador da sua equipa ou organização. Mais recentemente tem vindo a ganhar preponderância a ideia da liderança adaptativa como resposta a um mundo cuja complexidade parece cada vez mais difícil de acompanhar e em que a ideia de um líder omnipotente capaz de dar resposta a todos os desafios fica já aquém da realidade. Paralelamente a todas estas ideias bastante sistematizadas academicamente, vemos surgir grupos de reflexão acerca de liderança virtuosa, liderança servidora, liderança peregrina, e tantas outras.
Há muito que me interesso pelo tema e que reflito acerca do que é ser líder afinal.
Em quase todos os contextos encontro uma tendência generalizada para associar liderança a chefia. Há quem diga que gosta de aprender acerca de como ser um bom líder apesar de estar, de momento, sem qualquer pessoa ou equipa para chefiar.
Mas se não é preciso ser chefe para ser líder, coloca-se a questão: Todos podemos/devemos ser líderes?
A definição de liderança que mais me tens inspirado e ajudado ao longo da vida é curta e fácil de decorar: “O líder é o oposto da vítima”. Ouvi-a de alguém que já nem sei nomear, mas que me marcou profundamente.
Todos, querendo, podemos ser líderes. Somo-lo sempre e quando não nos conformamos ao papel de vítima. Implica olhar para cada situação da vida e pensar ‘O que posso fazer em relação a este assunto?’. Não só vai além da resignação como desaloja a vitimização que tantas vezes nos paralisa.
Podemos optar por ser vítimas, em vez de ser líderes. Por vezes tentamos ser líderes e não somos capazes. As técnicas de lideranças podem ser mais ou menos inatas, mas também se podem aprender, treinar e aperfeiçoar a cada dia. Vale a aposta sobretudo quando concluímos que ser líder nos traz uma vida mais plena e feliz. Quando queremos ser construtores de um mundo melhor.
Há muitas pessoas que se esforçam por ser líderes neste mundo. Nem todas são conduzidas pelos mesmos valores. O líder cristão é chamado a colocar o Amor de Cristo, a Verdade e o Serviço ao próximo como guias da sua tomada de decisão.
Não se é líder apenas na empresa, quando se ascende a um lugar de chefia. É-se líder na vida, dentro e fora do local de trabalho. Por vezes nem sequer implica tomar decisões que devem ser seguidas por outras pessoas, mas “apenas” escolher o Bem Maior.
Tudo começa por nos liderarmos a nós mesmos. Para um cristão, essa liderança está facilitada porque Jesus nos indica sempre o caminho a seguir. Sendo fiéis à sua Palavra e aos seus ensinamentos, poderemos ser os líderes que fazem deste mundo um local melhor: bons trabalhadores, bons cidadãos, bons pais, bons filhos, bons amigos.
À questão ‘Todos podemos/devemos ser líderes?’ eu diria claramente que sim, mas sem nunca esquecer que só os bons valores constroem líderes cristãos capazes de um mundo melhor!