A Vida Humana, não é toda a História!

Crónicas 11 maio 2026  •  Tempo de Leitura: 4

Vivemos numa época que exalta a eficiência e o desempenho como se fossem virtudes absolutas. No entanto, mais cedo ou mais tarde, todos nos deparamos com limitações: cansaço, dúvidas, o corpo ou o coração debilitado, o silêncio do outro quando precisamos de ajuda...

 

Quando um familiar, um amigo ou mesmo um conhecido, fica gravemente doente ou recebe um diagnóstico de doença terminal, o sofrimento e o medo dominam-nos e fazem-nos sentir uma profunda sensação de impotência.

 

Quem recebe uma notícia destas quer ajudar, mas também tem de lidar com as suas próprias reações e medos. Talvez a primeira ajuda que nos possamos dar seja entrar em contacto com as emoções que nos magoam, ouvindo-as com paciência e tentando compreendê-las.

 

A doença, mesmo a menos grave, destabiliza-nos sempre. Confronta-nos com a vulnerabilidade que tentamos esconder, destrói as nossas ilusões de omnipotência e obriga-nos a confrontar a realidade do nosso destino final: a morte.

 

Enfrentar a doença que leva à morte de um ente querido é um pouco como encarar a própria morte, e é compreensível sentir-se perturbado e angustiado.

 

Estar perto da pessoa doente, na reta final da sua caminhada, pode tornar-se uma lição de vida, pois exige de nós: autenticidade e sinceridade sobre aquilo em que acreditamos e esperamos, da nossa frágil existência.

 

Perante a perspetiva da morte, se não formos superficiais, reexaminamos as nossas atitudes e escolhas, os valores pelos quais tentamos viver, os erros ou pecados que cometemos.

 

Permanecer ao lado da pessoa que sofre, tentar colocar-se no seu lugar, ouvir pacientemente as suas palavras, a sua linguagem não verbal - olhares, gestos e acenos de cabeça -, significa ouvir os seus silêncios ou as suas revoltas, sem a julgar. Significa aprender a ouvir-nos a nós próprios para aprendermos a ouvir a outra pessoa, com uma atitude empática, sem tentar dar respostas ou soluções.

 

Creio que é importante, muito importante, estar perto, mesmo que isso signifique estar apenas presente, segurando a mão. E que essa presença ofereça segurança e faça sentir o calor humano.

 

A morte, pela sua própria natureza, é a negação da vida, é o verdadeiro xeque-mate para a natureza humana. Como não temê-la?

 

Contudo, faz parte da vida porque pertence ao ciclo da vida. Como todas as coisas criadas, a nossa existência terrena chegará ao fim. Cairemos no nada? Será mesmo o fim de tudo?

 

A fé em Jesus Cristo, morto e ressuscitado, ensina-nos que este temível inimigo foi derrotado porque o Senhor o enfrentou e perseverou até ao fim.

 

Esta certeza não elimina a dor e a saudade, mas sustenta-nos e ajuda-nos a ver para além das evidências, a captar os raios de luz que emanam da Páscoa de Jesus.

 

A vida terrena, na verdade, não é toda a história! Há mais! Há muito mais!

 

p.s. Dedico esta pequena reflexão à minha amiga Irene Fernandes Esteves, que cumpriu a sua caminhada terrena no passado sábado, 9 de maio, e vai hoje a sepultar. Tenho a certeza que a Mãe de Deus a acompanhou no encontro com o seu Filho Redentor. Descanse em paz. Ámen.

Licenciado em Teologia. Professor de EMRC. Adora fazer Voluntariado.

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