Maria sabia disso...

Crónicas 5 maio 2026  •  Tempo de Leitura: 3

Maio é o mês de Maria.

 

Maria é uma figura que nos continua a questionar, muito para além dos limites da devoção.

 

Maria fez da não-escolha o caminho para a sua própria liberdade, e da sua dor materna a capacidade de suportar toda a dor do mundo.

 

Uma mulher que falava pouco. Que meditava profundamente. «Maria guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração»  Lc 2,19

 

Maria não compreendeu tudo subitamente. Pelo contrário, teve de refletir em silêncio sobre palavras e acontecimentos cujo significado e lógica não percebeu de imediato. Tal como nós também temos de fazer.

 

Uma mulher que impressiona pela sua ousadia, como quando viajou sozinha para visitar a sua prima Isabel. «Maria levantou-se e partiu apressadamente.» Lc 1,39

 

Uma mulher que impressiona pela sua sensibilidade, como no casamento em Caná, quando percebe antes de todos que o vinho está a acabar. «Eles não têm mais vinho!» Jo 2,3

 

Maria recorda-nos que a preocupação e a compaixão com a felicidade dos outros são os aspetos mais definidores da humanidade. Não o poder. Não o controle. Mas o cuidado.

 

Maria testemunha que a fronteira entre o humano e o divino se torna ténue, quase apagada pela filiação. Por essa razão é que a espiritualidade de São Luís Maria Grignion de Montfort, que tem como centro Jesus Cristo, Sabedoria Eterna Encarnada, nos diz que o caminho privilegiado para alcançá-Lo é a Santíssima Virgem Maria.

 

Há um paradoxo que vale a pena realçar. O homem, que procura tornar-se Deus matando Deus, continua a ser vítima, a primeira vítima, das suas próprias ilusões de omnipotência. Hoje, esta derrota evidencia-se tristemente na oscilação entre um sentimento de impotência e as ilusões de ser todo poderoso.

 

No coração da espiritualidade monfortina está a consagração total a Jesus por Maria, uma entrega radical de si mesmo – corpo, alma, bens e méritos – nas mãos da Mãe de Deus, para que, por meio dela, sejamos mais perfeitamente configurados a Cristo.

 

É a forma mais elevada de ser: Configurados a Cristo, que veio para servir e não para ser servido. «Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muito.» Mc 10,45 

 

E Maria sabia disso.

Licenciado em Teologia. Professor de EMRC. Adora fazer Voluntariado.

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