Chorar é amar com os olhos

Crónicas 24 março 2026  •  Tempo de Leitura: 3

A morte é o maior inimigo do homem, o mais temível. Ela é a montra maior da nossa fragilidade.

 

Para o homem contemporâneo, a morte é um tabu: não só temos medo de falar sobre ela, como também lutamos para a esconder. Por exemplo: uma criança ver o cadáver de um amigo ou familiar, pode ficar traumatizada. Ou, o medo irracional de manter o corpo em casa antes do funeral... Escondemos o luto…

 

No entanto, os cristãos recebem o dom de encarar a morte com esperança! A luz da fé deve iluminar o olhar e ajudar a enfrentar este acontecimento com confiança, na certeza de que a vida não é tirada, mas sim transformada. É verdade que ninguém quer morrer. O crente, porém, pode reconciliar-se com a morte ao ponto de a chamar "irmã", como Francisco de Assis.

 

A fé em Jesus, morto e ressuscitado, é o fundamento deste dom: o Filho de Deus, com a sua paixão, morte e ressurreição, venceu-a. «Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo!». (1 Coríntios 15. 54-57)

 

Vista na perspetiva da Páscoa, a morte deixa de nos aterrorizar, revelando-se como uma porta que se abre para uma vida plena e abundante.

 

Ouvimos no Evangelho deste domingo: «Eu sou a ressurreição e a vida». Observemos a ordem das palavras. A ressurreição vem em primeiro lugar, não a vida. Para Jesus, a libertação vem em primeiro lugar, e depois a vida autêntica.

 

Viver é o resultado de muitas ressurreições: do medo, do desespero, da violência, da solidão. A ressurreição é uma questão do agora, deste momento! Erguer-se de vidas tranquilas e medíocres, de vidas sem sonhos.

 

Quantos amigos rodeiam Lázaro, quantas lágrimas! Marta e Maria choram, os judeus, e até Jesus. Este, demonstrando a humanidade de Deus. Admirados, dizem todos os presentes: "Vejam como Ele o amava". Chorar é amar com os olhos. Lázaro ressuscita não pelo poder de um Deus, mas pelo amor de um amigo.

 

Invejo Lázaro, não porque regressa à vida uma segunda vez, mas porque vive num mundo cheio de amigos.

 

O "problema da morte" é a oportunidade de meditar sobre o sentido último da nossa existência, ela ajuda-nos a viver melhor o presente.

 

«O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não imaginou, são as coisas que Deus tem preparado para aqueles que o amam». (1 Coríntios 2. 9)

Licenciado em Teologia. Professor de EMRC. Adora fazer Voluntariado.

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