Dar à luz… ou dar luz?
Uma esmola é do tamanho do coração de quem a dá. Cada um de nós precisa de muito mais do que julga. Assumimos como nossa a vida que temos quando, na verdade, não somos de todo responsáveis por ela.
Alguém nos sonhou e criou, alguém nos deu a luz de existir para depois nos entregar à luz da própria existência.
Eu existo e isso é uma esmola que me foi dada. Será a esmola um dever de quem a dá e um direito de quem a pede? Quem seria eu se não me tivesse sido dado o dom da vida?
No entanto, quem me deu a luz, fê-lo com humildade e em silêncio. De tal forma que parece que foi tudo simples, lógico e sem mistério.
Eu sou um milagre, com um sentido que ultrapassa a razão (pelo menos a que consigo compreender).
Deus fez a luz e deu-a também a cada um de nós. Concedeu-nos o dom de sermos livres, podendo fazer da vida aquilo que, a cada momento, julgarmos ser melhor. Assim, é ainda mais meritório e belo o bem que fazemos, porque resulta de nós — tal como, quando não o fazemos, a responsabilidade não é senão nossa.
O amor é a luz que ilumina, um lume que aquece, uma chama que orienta e um fogo que queima em nós o que é mau.
A mais importante das esmolas que somos chamados a dar é aquela que nos fará felizes. Ainda assim, são muitos os que nunca dão à luz o melhor de si e, por isso, não chegam a dar luz a quem vive perdido em algum dos muitos tipos de escuridão.