No meio de mim, estás tu
Dentro do meu coração, estás tu. Acredito que, dentro do teu coração, esteja eu. Em cada um de nós está também Deus, porque nos ama. E, do mesmo modo, nós estamos no coração de Deus.
O pedaço de Deus que está em mim também vai quando me dou a alguém. Dou o que sou, o que tenho e o que há de mais profundo em mim.
Se sou amado por alguém, essa pessoa dá-se a mim, e eu fico com um pedaço do seu coração no meu. Depois, quando amo alguém, entrego-lhe um pedaço do meu coração, com tudo o que nele habita.
O meu pai amou-me, deu-se muito a mim, tanto que eu também sou ele, muito. Quando amo alguém, é também o meu pai que ama, porque, apesar de já não estar neste mundo, vive, bem vivo, dentro de mim e vai também quando entrego o meu coração.
Morrer é levar um pouco de todos os que nos amaram, mas também é continuar a viver naqueles que guardam em si o que lhes demos de nós.
Importa amar e abrir o nosso coração ao amor do outro. O preço é alto: temos de sofrer, porque nem sempre seremos bem recebidos e nem todos aqueles a quem abrimos o coração nos querem fazer bem.
A verdade é que também nós, muitas vezes, por razões e emoções confusas, não aceitamos o amor de todos, nem a todos queremos dar o melhor de nós.
Só com amor se perdoa. Perdoar é uma das formas mais sublimes de amar. No mais profundo de mim estão os perdões. Os teus e os de quem, como tu, me amou a esse ponto!