Será que precisamos de tudo o que temos?

Crónicas 5 abril 2021  •  Tempo de Leitura: 2

Será que precisamos de tudo o que temos? Esta é a pergunta que pairou na minha mente estes dias, depois de ter vivenciado um episódio que me marcou.

 

Tocaram à campainha e era um jovem, pouco mais velho que eu, que andava a pedir. Disse que ele e a mulher tinham ficado desempregados e que andavam a pedir ajuda. Aquilo tocou-me! Talvez por ser uma pessoa de idade tão próxima da minha. A verdade é que este tipo de ajudas é sempre um pau de dois bicos. Se pedem dinheiro e não conhecemos a pessoa, não sabemos a quem estamos a dar, nem sequer o uso que vão fazer do dinheiro. Mas se pedirem comida ou roupa, é algo que não recuso.

 

Recordo-me de um casal jovem que no passado andou por aqui a pedir. Mas referiam sempre que só queriam comida, principalmente para as filhas pequenas. Na altura organizei entre família e amigos e conseguimos roupas, brinquedos e materiais escolar para as miúdas. E sempre que vinham ajudávamos com alguma coisa de comida. Passado uns tempos deixei de os ver por cá a pedir e quero acreditar que conseguiram endireitar a vida. Mas nunca esquecerei o brilho do olhar deles quando lhes entreguei sacos de coisas para as filhas.

 

Esta época que vivemos não é fácil! Existe cada vez mais gente a passar por dificuldades e cada vez mais jovens nessa situação. E é aqui que eu pergunto: será que precisamos de tudo o que temos? Estamos sempre preocupados em comprar mais uma peça de roupa, ou uns sapatos, ou algo de decoração. Mas será que isso é o essencial? Será que não basta comprarmos apenas o que nos faz falta? Será que o dinheiro que poupamos não irá ajudar numa situação de emergência como esta? Será que nos nossos roupeiros não temos coisas que possam fazer mais falta a quem não consegue ter neste momento?

 

Roupa e comida é algo que não irei recusar, porque é essencial. Mas a maior riqueza é o amor, a saúde e a solidariedade. Se o tivermos e praticarmos, tudo o resto se vai compondo. Desafio-te a tirares um tempo para olhares para a tua casa e para o teu roupeiro e perceber se precisas realmente de tudo isso. Se achares que há coisas que podem fazer mais falta a outra pessoa, atreve-te a dar. Porque a maior riqueza está em ti!

A Joana nasceu em 1992, no Porto. Licenciou-se em Enfermagem na ESEP, com Mestrado em Musicoterapia na Universidad Autonoma de Madrid. É Animadora de Pastoral Juvenil e Voluntária Missionários com os Missionários Claretianos desde 2010, tendo estado por duas vezes em missão em São Tomé e Príncipe e participado nas JMJ Madrid 2011 e Cracóvia 2016.

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