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Começamos a entrever o fim da epidemia que transtornou profundamente os nossos estilos de vida diários. Aconteceu algo de imprevisível, de realmente impensável. Vivíamos num mundo doente, mas não nos aflorava a ideia de podermos adoecer tão rapidamente e desta maneira.
Na oração do meio-dia cantamos, do Salmo 13: «Até quando, Senhor?». Antes do covid-19, quanto entoava estas palavras, pensava nos meus irmãos e irmãs no Iraque. Agora, estas palavras encontramo-las nos nossos lábios. Até quanto durará a pandemia, Senhor? As equipas médicas perguntam-se quantas horas
A pandemia devolve-nos a consciência do limite, ao mesmo tempo que nos obriga a refletir sobre as formas de habitar o mundo a que podemos voltar
"Não estar bem” não é bom nem desejável. Mas creio ser importante desfazer uma espécie de ditadura que às vezes nos é imposta de uma humanidade impecável, sempre bem, performativa.
Em tantos momentos da história, alguns deles bem extremos, os livros foram remos para guiar a jangada
No pós quarentena, há uma abertura de coração que vamos ter de praticar. E o nosso Papa anda a falar disto há anos: passar do consumo desenfreado ao sacrifício, da avidez à generosidade, do desperdício à partilha.
Fomos capazes de transformar as varandas em palcos, os ginásios em hospitais de campanha, os telhados em bancos de jardim, os computadores em enxadas, os vizinhos em irmãos e não seremos capazes de recomeçar transformados?
A fragilidade exige do ser humano um olhar lúcido e crítico para a discernir por trás das aparências da força, da solidez e da robustez. Mostram-no alguns exemplos bíblicos. É necessária a sabedoria do vidente Daniel para reconhecer um imponente império e a sua queda na enorme estátua feita de ouro,
Dentro em pouco começa a Páscoa. A natureza está em flor, e sentimos o desejo de sair e de estar juntos: com as pessoas amadas, com a família, com os amigos.